Horowitz Andreessen Academy estreia em 2027 com turma gratuita, seleção baseada em projetos concretos e formação criada para jovens que já constroem produtos e negócios
A Andreessen Horowitz (a16z) está financiando um novo projeto educacional em San Francisco que pretende testar uma rota diferente da faculdade tradicional para jovens interessados em inteligência artificial, tecnologia e empreendedorismo. A Horowitz Andreessen Academy recebeu US$ 35 milhões para iniciar essa proposta e abrirá sua primeira turma no segundo semestre de 2027, com cerca de 50 estudantes e participação sem cobrança de mensalidade.
Projeto estreia como experimento educacional
A academia nasce como uma iniciativa ainda em fase inicial, criada para descobrir se determinados estudantes podem avançar mais rapidamente com uma formação curta, prática e fortemente conectada ao mercado.
Em vez de reproduzir desde o começo uma graduação convencional, o primeiro grupo funcionará como fellowship e servirá também para testar o formato antes de uma expansão maior.
Se o projeto receber as autorizações regulatórias necessárias, a etapa seguinte deverá surgir em 2028 com um programa presencial de dois anos e cobrança semelhante à de universidades privadas de elite.
Essa mudança colocará a instituição em competição direta por um público que normalmente consideraria faculdades tradicionais como principal caminho para entrar em tecnologia ou criar uma empresa.
A aposta, porém, não parte da ideia de que universidades deixaram de ter valor para todos os estudantes, mas de que um grupo específico pode preferir outra estrutura.
O foco está em jovens que já demonstram capacidade técnica, iniciativa e interesse empresarial antes mesmo de iniciar o ensino superior convencional.
Faculdade perde espaço para o que o aluno já fez
O projeto pretende reduzir o peso atribuído a provas e notas ao avaliar candidatos, porque sua principal referência será o que cada estudante já conseguiu construir fora da sala de aula.
Aplicativos usados por muitas pessoas, empresas com receita ou soluções para desafios técnicos poderão valer mais do que um histórico acadêmico impecável sem evidências de execução prática.
SAT, ACT e desempenho escolar ainda poderão aparecer na seleção, mas funcionarão como informações complementares dentro de uma análise muito mais orientada para realizações concretas.
A lógica representa uma ruptura relevante com processos tradicionais de admissão, que normalmente colocam métricas acadêmicas no centro da decisão.
Esse modelo também tenta responder a uma mudança trazida pela inteligência artificial, que facilita o acesso a conhecimento técnico e reduz a diferenciação baseada apenas em domínio teórico.
A academia quer formar pessoas capazes de transformar ferramentas de IA em produtos, negócios e soluções reais, além de desenvolver comunicação, vendas e apresentação pública.
Empresas entram desde o início
A Horowitz Andreessen Academy afirma ter formado uma rede com mais de 50 empresas antes mesmo de receber sua primeira turma, o que coloca empregadores dentro do projeto desde sua fase de lançamento.
Entre os parceiros citados aparecem Anthropic, Google, Meta, Nvidia, OpenAI, Palantir, Replit, Stripe, Coinbase e Anduril, companhias diretamente ligadas a tecnologia e inovação.
Essa rede pode reduzir a distância entre formação e contratação, porque a própria instituição espera criar caminhos profissionais para estudantes por meio das empresas envolvidas no programa.
Algumas dessas companhias já demonstraram interesse em contratar futuros formados, o que adiciona uma dimensão de recrutamento ao experimento educacional financiado pela a16z.
O novo projeto procura, portanto, testar uma pergunta que ganhou força com a expansão da inteligência artificial: se jovens já conseguem construir produtos e negócios cedo, a faculdade tradicional precisa continuar como etapa obrigatória para determinados perfis.
A resposta ainda dependerá do desempenho das primeiras turmas, mas a academia nasce justamente para experimentar uma alternativa mais curta, prática e conectada às exigências do setor tecnológico.
