Os houthis assumiram os ataques às instalações de petróleo na Arábia Saudita e associaram a ação às operações militares realizadas por Riad no Iêmen.
A escalada militar entre os houthis e a Arábia Saudita alcançou diretamente a infraestrutura energética do reino, após ataques causarem incêndios e interrupções operacionais em cidades próximas ao Iêmen. Além dos efeitos locais, o avanço das hostilidades fortaleceu temores sobre o fornecimento mundial de petróleo diante das restrições que afetam o Estreito de Ormuz.
Ofensiva interrompe atividades no sul saudita
Incêndios provocados por uma ofensiva houthi obrigaram instalações petrolíferas e serviços públicos do sul da Arábia Saudita a interromper parte das operações na terça-feira.
O Ministério da Energia saudita confirmou as paralisações, mas não apresentou uma estimativa sobre o volume de produção afetado ou o prazo necessário para normalizar as unidades.
Explosões foram registradas em Abha, Jazan, Najran e Khamis Mushait, área que reúne complexos econômicos, estruturas militares e componentes importantes da cadeia energética nacional.
A região abriga a refinaria de Jazan, uma das maiores do país, com capacidade diária estimada em 400 mil barris de petróleo.
Os rebeldes assumiram a autoria da operação e afirmaram ter usado dezenas de drones e mísseis balísticos contra instalações econômicas e uma base aérea.
O balanço divulgado pelas autoridades elevou para 73 o número de pessoas feridas nos diferentes locais alcançados pelos ataques durante a madrugada.
O grupo apresentou a ofensiva como retaliação aos recentes bombardeios sauditas no Iêmen, cenário que voltou a registrar confrontos após quatro anos de trégua.
Riad classificou a ação como ameaça à soberania nacional e indicou que a coalizão deverá adotar medidas militares para evitar novas ofensivas transfronteiriças.
Ataque amplia incerteza sobre petróleo
Atingir diretamente instalações energéticas de um grande produtor acrescenta um componente de oferta à crise regional, até então concentrada principalmente nas rotas marítimas.
A retomada da frente entre a Arábia Saudita e os houthis também ameaça Bab al-Mandeb, corredor utilizado pelo transporte comercial no Mar Vermelho.
Petroleiros que atravessam essa região já enfrentaram ações rebeldes, fator que pode reduzir a regularidade das viagens e elevar o risco logístico.
A preocupação adquire maior peso porque o Estreito de Ormuz ainda opera com fluxo severamente reduzido devido à guerra que envolve o Irã e os Estados Unidos.
Antes dessa crise, aproximadamente um quinto do petróleo mundial passava por Ormuz, o que revela a importância do corredor para o equilíbrio do abastecimento internacional.
A possibilidade de dificuldades simultâneas em Ormuz e Bab al-Mandeb limita opções de transporte e deixa compradores mais expostos a novas interrupções.
Sem dados oficiais sobre os danos produtivos na Arábia Saudita, o efeito imediato permanece concentrado na incerteza sobre continuidade operacional e segurança das rotas.
Novas retaliações poderão intensificar essa pressão caso os confrontos alcancem outras instalações ou dificultem o tráfego comercial entre o Golfo e o Mar Vermelho.
