Cabotagem de contêineres pode cortar até 8,2% do CO₂

A cabotagem de contêineres no Brasil pode quadruplicar, resultando em uma redução de até 8,2% nas emissões de CO₂ no setor de transportes. Essa prática traz benefícios econômicos, mas enfrenta desafios como a burocracia e a infraestrutura portuária deficiente.

O transporte de cargas no Brasil pode passar por uma transformação significativa com o avanço da cabotagem de contêineres. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o uso desse modal tem potencial para crescer de forma expressiva e contribuir diretamente para a redução das emissões de gases de efeito estufa, além de melhorar a eficiência logística no país.

Potencial de crescimento da cabotagem

O transporte de cargas por cabotagem no Brasil ainda apresenta amplo espaço para expansão, impulsionado pela extensão do litoral e pela proximidade de polos industriais com regiões portuárias.

Projeções do setor indicam que o volume de contêineres movimentados por essa modalidade pode crescer até quatro vezes no longo prazo, desde que haja avanços em infraestrutura e na organização logística.

Mesmo em um cenário mais conservador, considerando apenas portos que já operam com cabotagem, a movimentação de cargas poderia mais do que dobrar.

Esse aumento teria impacto direto na sustentabilidade do setor, com potencial de reduzir em cerca de 4,5% as emissões relacionadas ao transporte de cargas no país. Em um cenário mais positivo, a redução seria de 8,2%.

Para viabilizar esse crescimento, especialistas apontam a necessidade de ampliar a oferta de rotas regulares, melhorar o acesso aos portos e reduzir entraves burocráticos.

Também é considerada essencial uma mudança na cultura logística das empresas, que ainda dependem majoritariamente do transporte rodoviário.

Atualmente, o modal rodoviário concentra cerca de 92% das emissões de gases de efeito estufa no transporte de cargas no Brasil.

Em comparação, a cabotagem apresenta um desempenho ambiental mais eficiente, emitindo entre 12% e 15% do volume gerado pelo transporte por rodovias para a mesma quantidade de carga transportada.

Além dos ganhos ambientais, o uso mais amplo da cabotagem pode gerar benefícios econômicos ao reduzir custos associados a acidentes, roubos e congestionamentos nas estradas.

A transferência de cargas de longa distância para o transporte marítimo tende a tornar a logística mais eficiente, contribuindo para a redução de custos operacionais e para o aumento da competitividade das empresas no país.

Novo Marco de Cabotagem e regulamentações

O Novo Marco de Cabotagem e regulamentações representam um avanço significativo para o setor, proporcionando um ambiente regulatório mais favorável e incentivando o crescimento da cabotagem no Brasil.

A Lei 14.301/22, conhecida como o Marco Legal da Cabotagem, foi um passo importante ao incentivar o transporte de cargas entre portos brasileiros e fortalecer a indústria naval.

Desde a publicação do Decreto 12.555/2025, quatro novas empresas começaram a operar no país e 16 embarcações foram incorporadas, ampliando a oferta de serviços e promovendo um maior equilíbrio no transporte de cargas.

No entanto, a proposta de definir regras para embarcações sustentáveis, aberta para consulta pública, levanta preocupações sobre possíveis exigências excessivas que podem aumentar a burocracia e os custos associados.

É crucial que o governo encontre um equilíbrio para evitar que restrições rígidas desencorajem o uso da cabotagem, que é significativamente menos poluente que o transporte rodoviário.

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