O acesso da carne brasileira aos compradores europeus está ligado à capacidade de demonstrar que os antimicrobianos seguem critérios mais restritivos e devidamente documentados.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) demonstrou preocupação com o risco de o país perder acesso ao mercado europeu por falta de tempo para cumprir as novas normas. A adequação exige mudanças significativas nos protocolos produtivos, algumas que podem levar 30 meses, enquanto a aplicação das exigências está prevista para setembro.
Abiec alerta para risco de perda do mercado
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) avalia que parte relevante da produção nacional poderá não alcançar os requisitos impostos pela União Europeia dentro do calendário estabelecido pelas autoridades do bloco.
Segundo o presidente da entidade, Roberto Perosa, as particularidades do ciclo pecuário brasileiro tornam improvável uma adequação integral até setembro, já que determinadas mudanças exigiriam aproximadamente trinta meses.
Esse intervalo corresponde a cerca de dois anos e meio, período necessário para alterar protocolos sanitários, revisar práticas adotadas nas propriedades e comprovar o cumprimento das novas condições.
A eventual falta de conformidade poderá comprometer embarques de carne bovina, frango, pescados e outros produtos de origem animal destinados aos compradores europeus.
Embora a União Europeia represente uma parcela limitada do volume total exportado pelo Brasil, o mercado possui importância comercial por concentrar cortes premium e mercadorias com maior valor agregado.
A perda desse destino também poderá reduzir alternativas para os frigoríficos, aumentar a concorrência por compradores externos e pressionar a distribuição dos produtos entre outros mercados internacionais.
Cadeia produtiva busca solução antes do novo prazo
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mantém conversas com indústrias, pecuaristas e demais participantes da cadeia para construir uma resposta que preserve os embarques sem impor obrigações inviáveis aos produtores.
A adaptação poderá exigir mudanças nos tratamentos veterinários, no controle dos medicamentos utilizados, na rastreabilidade dos animais e na comprovação das práticas adotadas dentro das propriedades rurais.
Investimentos adicionais em biossegurança, vacinação, higiene das instalações e assistência técnica também poderão ganhar espaço como alternativas para reduzir a dependência de determinados antimicrobianos.
Essas alterações, entretanto, possuem custos elevados e demandam planejamento, capacitação profissional e mecanismos de fiscalização capazes de assegurar padrões semelhantes em diferentes regiões produtoras.
Vale citar que a preocupação do setor não se limita ao mercado europeu, porque o Brasil também enfrenta restrições recentes na China, principal compradora da carne bovina nacional.
O governo chinês estabeleceu cotas de exportação para os países fornecedores, e a parcela destinada ao Brasil já se encontra próxima do limite, fato que amplia a pressão sobre as vendas externas brasileiras.
