Brasil atinge 100% da cota de carne bovina para a China em outubro

A cota de carne bovina destinada ao Brasil levou o governo a buscar espaço adicional com Pequim, enquanto o Uruguai ofereceu parte de seu volume ao país.

O Brasil atingiu em outubro o limite de 1,106 milhão de toneladas previsto para as exportações de carne bovina ao mercado chinês em 2026, segundo comunicação da Administração-Geral de Alfândegas da China ao governo brasileiro. Com a cota totalmente utilizada, novos embarques ficam sujeitos a uma tributação de 67%, situação que aumenta a pressão sobre frigoríficos e exportadores nacionais.

Cota chega ao limite em outubro

A carne brasileira comercializada dentro do volume reservado ao país paga tarifa de 12%, mas as condições mudam para remessas que ultrapassarem o teto anual estabelecido pela China.

Nesses casos, uma sobretaxa de 55% eleva a cobrança total para 67%, nível que compromete a viabilidade econômica de novas operações.

O Ministério do Comércio chinês ainda deverá formalizar a medida após a comunicação feita pelas autoridades aduaneiras, enquanto os exportadores acompanham os efeitos imediatos da mudança.

O esgotamento da cota ainda em outubro cria uma restrição adicional para os últimos meses do ano e aumenta a importância de alternativas capazes de preservar parte dos embarques.

Uruguai abre espaço enquanto Brasil negocia nova cota

Uma saída de curto prazo surgiu após o Uruguai aceitar ceder ao Brasil parte do volume reservado aos próprios exportadores no mercado chinês.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou que o acordo permitirá utilizar uma parcela dessa quantidade para manter novas vendas brasileiras sem depender imediatamente da tarifa aplicada aos volumes excedentes.

A solução, porém, tem alcance limitado porque o espaço adicional depende da quantidade disponibilizada pelo país vizinho e não altera o teto originalmente destinado ao Brasil.

Por isso, o governo brasileiro pretende intensificar as negociações com Pequim para tentar obter uma cota suplementar e reduzir os efeitos da restrição até o fim do ano.

Uma eventual ampliação permitiria preservar novos embarques dentro das condições tarifárias aplicáveis ao volume autorizado, enquanto a salvaguarda chinesa continua a impor limites específicos para fornecedores estrangeiros.

Com o teto brasileiro alcançado em outubro, a definição de espaço adicional passa a ter peso maior para frigoríficos e exportadores que dependem do mercado chinês.

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