Empresários da construção passaram a demonstrar maior cautela com novos aportes, após a intenção de investimento recuar 2,7 pontos e atingir 39,7 em setembro.
A indústria da construção começou setembro com uma percepção mais negativa sobre os próximos meses, após empresários reduzirem expectativas para atividade, emprego, compras e novos projetos. A Sondagem Indústria da Construção, elaborada pela CNI com a CBIC, também registrou queda da confiança e da intenção de investimento, em um ambiente ainda pressionado por juros elevados e custos maiores.
Investimento recua ao menor nível para setembro desde 2019
A disposição para direcionar recursos a novos projetos perdeu força de maneira relevante, com o índice de intenção de investimento em 39,7 pontos durante setembro.
O indicador havia registrado 42,4 pontos anteriormente e, após a redução de 2,7 pontos, alcançou sua leitura mais baixa para esse mês desde 2019.
A piora também apareceu na confiança dos empresários, que passou de 47,2 para 45,5 pontos e permaneceu abaixo da linha que separa confiança de falta de confiança.
O resultado reflete uma avaliação mais desfavorável tanto sobre as condições atuais quanto sobre o cenário esperado para as empresas e para a economia.
A combinação entre confiança menor e planos de investimento mais fracos sugere maior seletividade na abertura de novas frentes de obras e na ampliação de capacidade.
Em um setor que depende fortemente de crédito, materiais e decisões de longo prazo, a continuidade de juros elevados aumenta o peso financeiro de qualquer expansão.
Empresas reduzem projeções para atividade e compras
A cautela também apareceu nas decisões operacionais previstas para os seis meses seguintes, principalmente na aquisição de materiais necessários para novas obras.
A expectativa para compras de insumos terminou setembro em 45,8 pontos, após uma perda de 4,3 pontos, a maior entre os indicadores prospectivos acompanhados pela pesquisa.
A previsão para o ritmo das atividades caiu 3,6 pontos e chegou a 47, enquanto a projeção para o número de empregados terminou em 48 após redução de dois pontos.
Nos dois casos, os indicadores passaram para patamares inferiores a 50, limite que representa expectativa de retração na metodologia utilizada pela sondagem.
Novos empreendimentos e serviços também receberam uma avaliação menos favorável, com o indicador em 46,1 pontos após queda mensal de 2,6 pontos.
Como essa leitura já indicava enfraquecimento anteriormente, o resultado de setembro aprofundou a percepção de menor espaço para expansão da carteira de projetos.
O conjunto mostra que as empresas não reduziram apenas o entusiasmo com investimentos de maior porte, mas também passaram a rever decisões mais próximas da rotina operacional.
Menor expectativa de compras, atividade e contratação indica preparação para um período no qual a demanda pode não justificar expansão significativa das operações.
Desempenho de agosto ajuda a explicar a cautela
Os dados imediatamente anteriores já mostravam um setor menos aquecido, contexto que ajuda a compreender a deterioração registrada em setembro.
Em agosto, o nível de atividade havia terminado em 44,7 pontos, abaixo dos 47,3 observados em julho e também inferior ao padrão histórico do mês.
O emprego apresentou comportamento semelhante, com leitura de 45,8 pontos e o resultado mais baixo para agosto desde 2017.
A utilização da capacidade operacional também cedeu para 65%, embora permanecesse acima da média histórica de 63% registrada para esse período do ano.
Na avaliação da CNI, o ambiente de juros elevados e o aumento dos custos ao longo de 2026 ajudam a limitar a recuperação da construção.
Setembro acrescentou a esse quadro um elemento mais preocupante, pois a fraqueza deixou de aparecer apenas nos resultados recentes e passou a afetar decisões empresariais sobre os próximos meses.
