Apesar do crescimento de 1,6% nas entregas de fertilizantes no primeiro quadrimestre, o setor ainda enfrenta sinais de fragilidade na produção nacional, que recuou 9,2%.
A demanda por fertilizantes seguiu aquecida no Brasil entre janeiro e abril, período em que o mercado recebeu 12,3 milhões de toneladas do insumo, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda). O crescimento nas entregas, no entanto, ocorreu em paralelo a uma retração na fabricação nacional de fertilizantes intermediários, o que reforça o desafio do país em equilibrar consumo agrícola, produção interna e dependência de importações.
Entregas de fertilizantes crescem no primeiro quadrimestre
As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 12,3 milhões de toneladas no primeiro quadrimestre, avanço de 1,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos.
O resultado indica uma demanda ainda firme por insumos agrícolas, especialmente em um período marcado pelo avanço da safrinha de milho, cultura que costuma concentrar parte relevante do consumo de fertilizantes no país.
A movimentação reforça a importância dos adubos para a produtividade das lavouras brasileiras, já que esses produtos são essenciais para repor nutrientes do solo e sustentar o desempenho das principais culturas agrícolas.
Estados com forte presença no agronegócio, como Mato Grosso, São Paulo e Paraná, continuam entre os principais destinos dos fertilizantes entregues ao mercado interno.
Mesmo diante de custos elevados, oscilações climáticas e incertezas no mercado global de insumos, o volume entregue mostra que produtores seguem priorizando a aplicação de fertilizantes para proteger o potencial produtivo das lavouras.
Produção nacional registra queda no período
Enquanto as entregas cresceram no mercado interno, a produção brasileira de fertilizantes intermediários apresentou retração nos primeiros quatro meses do ano, evidenciando um contraste entre demanda agrícola e capacidade produtiva nacional.
No acumulado de janeiro a abril, a fabricação desses insumos chegou a 1,92 milhão de toneladas, volume 14,4% menor que o registrado no mesmo intervalo do ano passado.
A queda também apareceu no desempenho mensal, já que abril encerrou com 510 mil toneladas produzidas, resultado 9,2% inferior ao observado no mesmo mês do ano anterior.
Esse recuo na produção doméstica amplia a atenção sobre a dependência brasileira de fertilizantes importados, tema estratégico para o agronegócio em razão da influência direta dos insumos sobre custos, planejamento de safra e competitividade.
A diferença entre o crescimento das entregas e a redução da produção nacional mostra que o setor continua apoiado em uma combinação de oferta interna, compras externas e gestão logística para atender ao calendário agrícola.
Diante desse cenário, o mercado acompanha a evolução da demanda nas próximas etapas da safra e os possíveis impactos da menor produção doméstica sobre abastecimento, preços e planejamento dos produtores.
