EUA formalizam ampliação temporária da cota de carne bovina

A ampliação da cota de carne bovina pode beneficiar exportadores estrangeiros, mas também aumenta a preocupação de pecuaristas estadunidenses com uma concorrência mais intensa.

A pressão sobre o abastecimento de carne bovina levou a Casa Branca a adotar uma medida emergencial que amplia o espaço para fornecedores estrangeiros no mercado estadunidense. Com três liberações de 100 mil toneladas métricas, a estratégia busca aumentar a disponibilidade do produto sem transformar a abertura em uma política permanente.

EUA ampliam cota de carne bovina para conter preços

O governo dos Estados Unidos formalizou uma ampliação temporária de 300 mil toneladas métricas na cota destinada à entrada de carne bovina estrangeira com tributação reduzida.

A decisão do presidente Donald Trump busca aumentar a disponibilidade de cortes magros, utilizados principalmente na produção de carne moída, diante da oferta doméstica limitada.

O volume adicional será dividido em três parcelas de 100 mil toneladas, com a primeira disponível durante setembro e a segunda reservada para importações realizadas em outubro.

A última parcela terá liberação a partir de 31 de outubro e poderá permanecer disponível até 30 de novembro, desde que o limite estabelecido seja alcançado antes dessa data.

Oferta doméstica limitada amplia pressão sobre a carne nos EUA

A pecuária estadunidense atravessa um período de menor disponibilidade de animais, cenário que ajuda a explicar a decisão do governo de recorrer temporariamente a fornecedores estrangeiros.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos estima que a produção nacional de carne bovina recue aproximadamente 4% em 2026, quando comparada ao resultado registrado no ano anterior.

Parte dessa redução está relacionada aos efeitos acumulados da seca e dos incêndios florestais sobre importantes regiões pecuárias, fatores que dificultaram a manutenção e a recuperação dos plantéis.

As restrições sanitárias aplicadas aos bovinos vivos provenientes do México acrescentaram outro obstáculo à recomposição da oferta, após medidas adotadas para evitar a entrada da mosca-varejeira no país.

Ao mesmo tempo, as projeções oficiais apontam crescimento do consumo doméstico durante os próximos meses, o que pode aumentar o desequilíbrio entre a quantidade disponível e a procura dos consumidores.

Embora indicadores de julho tenham apresentado sinais iniciais de recuperação do número de animais, a pecuária necessita de um período prolongado para transformar essa melhora em maior disponibilidade de carne.

Esse conjunto de fatores levou a administração americana a recorrer às importações como alternativa de curto prazo, enquanto produtores nacionais enfrentam um processo mais demorado de recomposição da oferta.

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