Inadimplência no agronegócio chega a 8,2% em 2025

Inadimplência no agronegócio avançou em 2025 e acendeu alerta sobre a situação financeira de produtores rurais no país. O cenário reflete a pressão de custos elevados, crédito mais restrito e oscilações nos preços das commodities.

A inadimplência no agronegócio brasileiro atingiu 8,2% em 2025, segundo dados da Serasa Experian, refletindo um cenário de maior pressão financeira sobre produtores rurais. O avanço das dívidas em atraso ocorre em meio a custos elevados, crédito mais restrito e diferenças regionais expressivas, enquanto ferramentas de inteligência artificial ganham espaço na análise de risco e na gestão financeira do setor.

Inadimplência no campo cresce em meio a custos elevados

A inadimplência rural chegou a 8,2% em 2025 e reforçou o alerta sobre a situação financeira de produtores brasileiros, especialmente em um período de custos elevados, crédito mais restrito e instabilidade nos preços das commodities.

O índice considera dívidas de pessoas físicas rurais com atraso superior a 180 dias e mostra que parte do setor enfrenta maior dificuldade para manter pagamentos em dia, preservar o caixa e planejar novos investimentos.

Embora o maior volume de atrasos esteja nas operações com instituições financeiras, que representam 7,2% do total, as dívidas diretamente ligadas ao agronegócio também preocupam pelo valor mais alto dos contratos.

Nesse recorte, a inadimplência relacionada ao agro aparece em 0,3%, mas pode gerar impacto relevante sobre fornecedores, distribuidores, cooperativas e empresas que dependem do pagamento dos produtores para manter a cadeia funcionando.

Entre as dívidas financeiras, o valor médio chega a R$ 115,5 mil, o que amplia a necessidade de renegociação, controle de custos e análise mais cuidadosa na concessão de crédito rural.

A pressão também atinge produtores de médio e grande porte, que registraram níveis elevados de inadimplência e podem reduzir investimentos em tecnologia, inovação e expansão caso o cenário financeiro continue apertado.

Regiões mostram diferenças no nível de inadimplência

A inadimplência rural apresenta diferenças importantes entre as regiões brasileiras, demonstrando que condições econômicas, estrutura produtiva e acesso a instrumentos financeiros influenciam diretamente os resultados.

No terceiro trimestre de 2025, a região Sul registrou a menor taxa do país, com 5,7%, desempenho inferior à média nacional observada no período.

Esse resultado é associado à presença de cooperativas, sistemas integrados de produção, uso de seguros agrícolas e linhas de crédito voltadas à renegociação de dívidas.

Na outra ponta, o Norte apresentou a maior taxa de inadimplência, com 12,5%, seguido pelo Centro-Oeste, com 9,6%, e pelo Nordeste, com 9,4%.

O Sudeste registrou taxa de 7,0%, ficando abaixo de regiões mais pressionadas, mas ainda refletindo os desafios financeiros enfrentados por parte dos produtores.

Na análise por Unidade Federativa, o Rio Grande do Sul teve o melhor desempenho, com inadimplência de 5,3%, enquanto o Amapá registrou a maior taxa, com 19,9%.

Esses contrastes indicam que políticas de crédito, renegociação e suporte técnico precisam considerar as particularidades regionais para reduzir riscos de forma mais eficiente.

Tecnologia e crédito aparecem como caminhos para reduzir riscos

Diante do avanço da inadimplência, o agronegócio tem ampliado o uso de tecnologias para melhorar a análise de risco e tornar as decisões de crédito mais seguras.

Ferramentas como o Agro Score, desenvolvido pela Serasa Experian, utilizam machine learning para avaliar perfis financeiros e identificar tendências de inadimplência entre produtores rurais.

Esses modelos preditivos permitem compreender melhor o comportamento econômico dos produtores, incorporando dados específicos do setor para orientar concessões de crédito mais equilibradas.

A inteligência artificial também ajuda a identificar padrões de risco, criar estratégias personalizadas para diferentes perfis e reduzir a exposição financeira de empresas e instituições credoras.

Além da tecnologia, especialistas apontam a necessidade de diversificar fontes de financiamento e ampliar políticas públicas que facilitem o acesso ao crédito rural.

Programas de educação financeira também podem contribuir para que produtores administrem melhor custos, receitas, endividamento e decisões de investimento ao longo das safras.

O fortalecimento de cooperativas e associações aparece como outra alternativa para oferecer apoio financeiro, suporte técnico e práticas agrícolas mais sustentáveis aos produtores.

Combinadas, essas medidas podem ajudar a criar um ambiente mais estável para o agronegócio, reduzindo riscos de inadimplência e sustentando o crescimento do setor.

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