A rodada ocorre em um momento no qual o setor busca novas reservas capazes de sustentar a produção nacional ao longo da próxima década, diante da perspectiva de declínio sem novas descobertas relevantes.
O leilão de blocos de petróleo e gás promovido pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) nesta quarta-feira (07) coloca 326 áreas em disputa e combina projetos com perfis distintos de exploração. A rodada reúne desde blocos do pré-sal até concessões em terra e no mar, o que amplia o alcance da oferta para empresas de diferentes portes e estratégias.
Pré-sal concentra as áreas de maior peso produtivo
Dos 326 blocos disponíveis, apenas 13 pertencem ao pré-sal, mas essa parcela reúne regiões responsáveis por grande parte da produção brasileira de petróleo e gás.
Em setembro, essa formação respondeu por 82,6% do volume nacional, o que ajuda a explicar o interesse estratégico nas áreas incluídas nas bacias de Campos e Santos.
A disputa pelo pré-sal terá 19 empresas habilitadas e seguirá o modelo de partilha de produção, no qual a competição considera a parcela de óleo excedente destinada à União.
A Petrobras também poderá exercer direito de preferência em determinados blocos e, nesses casos, deverá manter participação mínima de 30% no consórcio responsável pela operação.
A rodada atual sucede o leilão realizado em outubro de 2025, quando cinco das sete áreas de partilha oferecidas pela agência receberam propostas vencedoras.
O resultado anterior funciona como referência para uma nova disputa que ocorre em cenário de preços elevados e preocupação crescente com a reposição futura das reservas brasileiras.
Concessão reúne 313 blocos e amplia diversidade da oferta
A maior parte da rodada está concentrada no regime de concessão, responsável por 313 blocos distribuídos entre 22 setores com características geológicas bastante diferentes.
Quarenta e seis empresas receberam autorização para participar dessa etapa, embora cada companhia ainda possa decidir se apresentará ou não propostas pelas áreas disponíveis.
Entre as oportunidades aparecem blocos marítimos de pós-sal nas bacias do Espírito Santo, Campos e Santos, onde a presença de infraestrutura já instalada pode tornar determinados projetos mais atraentes.
A oferta também inclui áreas terrestres e cinco acumulações marginais nos setores Potiguar e Tucano Sul, associadas a campos devolvidos ou com produção anteriormente interrompida.
Dois setores da Bacia do Ceará representam a Margem Equatorial nesta rodada, enquanto outras áreas dessa extensa fronteira permanecem fora da disputa atual.
O interesse sobre essa região aumentou após descobertas realizadas na Guiana e no Suriname e também após novos resultados exploratórios registrados na Bacia da Foz do Amazonas.
A ANP retirou cinco blocos da Bacia do Parnaíba antes da licitação depois de identificar falhas na aplicação de critérios socioambientais usados na delimitação das áreas.
Mesmo com essa exclusão, a quantidade total colocada em disputa permanece a maior já apresentada pela agência em uma rodada de oferta.
Leilões buscam ampliar reservas para os próximos anos
A importância dos dois certames ultrapassa a arrecadação imediata com bônus de assinatura, porque novas descobertas serão necessárias para sustentar a produção brasileira ao longo da próxima década.
O setor acompanha com atenção a reposição de reservas diante da possibilidade de declínio produtivo nos anos 2030 caso novos campos relevantes não entrem em operação.
No regime de concessão, as empresas assumem integralmente o risco exploratório e recebem os direitos sobre o petróleo e o gás encontrados conforme as regras contratuais estabelecidas.
Em contrapartida, os projetos ficam sujeitos a pagamentos como bônus de assinatura, royalties e participação especial nos campos que alcançam níveis elevados de produção.
A rodada anterior de concessão, realizada em junho de 2025, terminou com 34 contratos assinados e aproximadamente R$ 989 milhões arrecadados em bônus.
Nesta quarta-feira, porém, o principal indicador será o nível de competição por uma carteira muito maior e diversificada, capaz de revelar quais regiões concentram hoje o maior interesse das petroleiras.
*Com informações Agência Brasil
