A restrição alcança desde carne e miúdos até ovos férteis, pintinhos e material genético, o que amplia os efeitos da medida sobre diferentes segmentos da cadeia avícola brasileira.
O México suspendeu a entrada de produtos avícolas brasileiros depois que autoridades confirmaram um foco da doença de Newcastle em uma criação comercial de peru em Nova Itaberaba, Santa Catarina. A medida afeta diferentes itens enviados pelo Brasil e busca proteger a produção mexicana contra uma enfermidade altamente contagiosa, em um momento no qual o mercado do país havia ampliado de forma expressiva as compras de carne de frango brasileira.
Medida mexicana alcança diferentes produtos avícolas
A restrição adotada pelas autoridades mexicanas cobre mais do que a carne de peru destinada ao consumo, porque também alcança miúdos, subprodutos e materiais ligados à reprodução das aves em geral.
O bloqueio inclui ovos férteis, pintinhos com até três dias de idade e material genético avícola, além de atingir aves canoras e ornamentais transportadas ao país.
A aplicação também se estende a produtos levados por viajantes, o que amplia o alcance da medida para além das operações comerciais realizadas entre empresas dos dois países.
A justificativa apresentada pelo México está ligada à proteção de sua produção doméstica, já que a doença de Newcastle possui alta capacidade de transmissão entre aves.
A infecção pode comprometer o sistema respiratório e provocar alterações neurológicas, além de sintomas como depressão e diarreia nos animais atingidos.
Até o momento, o governo mexicano não definiu por quanto tempo o bloqueio permanecerá válido, portanto a duração da interrupção comercial segue em aberto.
Suspensão afeta mercado que ganhou peso para o Brasil
A decisão ocorre depois de uma expansão importante das vendas brasileiras de peito de frango desossado ao mercado mexicano nos últimos anos.
Em 2025, o México importou aproximadamente 196 mil toneladas desse produto procedente do Brasil, volume que evidencia a importância adquirida por esse destino dentro do comércio avícola brasileiro.
O crescimento dessas compras acompanhou uma fase de maior aproximação comercial entre os dois países, o que torna a suspensão sanitária relevante também sob a perspectiva das relações econômicas bilaterais.
Como a restrição alcança diferentes categorias de produtos, seus efeitos podem atingir tanto fornecedores de alimentos quanto segmentos ligados à reprodução e ao desenvolvimento da atividade avícola.
A extensão do impacto dependerá principalmente do período necessário para que as autoridades mexicanas reavaliem o risco sanitário e decidam sobre uma eventual retomada das importações brasileiras.
