O Brasil possui grandes reservas de minerais estratégicos essenciais para a transição energética, mas enfrenta desafios na produção devido a quedas recentes. Para transformar suas reservas em oportunidades econômicas e fortalecer sua posição global, o país precisa superar obstáculos logísticos e regulatórios.
O Brasil possui vastas reservas de minerais estratégicos, fundamentais para a transição energética global. No entanto, enfrenta desafios significativos na produção desses recursos, segundo um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Com a demanda crescente por tecnologias renováveis, o país precisa superar obstáculos para se posicionar como um líder no setor.
Reservas minerais do Brasil
O Brasil é um dos países mais ricos em reservas minerais estratégicas, essenciais para a transição energética global.
O estudo do Ipea destaca que o país possui 74 milhões de toneladas de grafita, equiparando-se à China, líder mundial. Além disso, o Brasil detém 19% das reservas globais de terras raras, ficando atrás apenas da China e do Vietnã.
Em relação ao manganês, o Brasil ocupa a terceira posição mundial, enquanto no níquel, está em quarto lugar. O país também possui 9% das reservas de bauxita, matéria-prima fundamental para a produção de alumínio.
Essas reservas colocam o Brasil em uma posição estratégica no cenário global, oferecendo um potencial significativo para o desenvolvimento econômico e tecnológico.
Apesar dessas reservas abundantes, a produção nacional tem enfrentado desafios, com quedas significativas nos últimos anos.
Isso ressalta a necessidade de políticas eficazes para transformar essas reservas em oportunidades concretas de crescimento e inovação.
Queda na produção nacional
A produção nacional de minerais estratégicos no Brasil tem enfrentado um declínio preocupante nos últimos anos, conforme destacado pelo estudo do Ipea. Apesar de possuir vastas reservas, o país não tem conseguido converter esse potencial em aumento de produção.
Desde 2017, a extração de grafita, por exemplo, caiu em média 8,4% ao ano, enquanto o mercado global cresceu 10% anualmente.
A situação é semelhante para outros minerais críticos. No segmento de manganês, a produção brasileira retraiu-se 7,4% ao ano, contrastando com o crescimento global.
Para as terras raras, a queda média anual foi de 6,4%, em um cenário mundial de expansão superior a 19%. Esses dados revelam uma desconexão entre o potencial geológico do Brasil e sua capacidade produtiva.
Essa queda na produção coloca o Brasil em uma posição desvantajosa na corrida global por recursos minerais essenciais para a transição energética.
Sem ações eficazes para reverter essa tendência, o país corre o risco de perder relevância no mercado internacional de minerais estratégicos.
Geopolítica da nova energia
A geopolítica da nova energia está transformando a dinâmica global, com países buscando garantir acesso a minerais críticos para tecnologias de baixa emissão de carbono.
A transição energética, impulsionada pela demanda por carros elétricos, turbinas eólicas e painéis solares, depende fortemente desses recursos.
Enquanto um carro a combustão utiliza menos de 50 kg de minerais, um veículo elétrico pode exigir mais de 200 kg de cobre, níquel, lítio, grafita e terras raras.
A China, antecipando-se a essa mudança, consolidou sua posição dominante no mercado de minerais estratégicos desde os anos 1990.
Atualmente, controla 95% do refino de grafita e 91% das terras raras, além de ter significativa influência sobre o mercado de manganês, cobalto e lítio.
Essa hegemonia permite à China dominar também a produção de baterias para veículos elétricos, com 85% da produção global localizada em seu território.
Para o Brasil, essa nova geopolítica representa tanto um desafio quanto uma oportunidade. O país precisa alinhar suas políticas minerais e energéticas para não apenas explorar suas reservas, mas também participar ativamente das cadeias de valor agregadas, garantindo um papel relevante na economia verde global.
Desafios e Oportunidades
O Brasil enfrenta diversos desafios para transformar suas vastas reservas de minerais estratégicos em oportunidades concretas.
A falta de investimentos em exploração e pesquisa geológica limita a capacidade do país de avançar na cadeia de valor dos minerais críticos.
Além disso, o país ainda não ocupa uma posição relevante no refino de minerais ou na manufatura de tecnologias para a transição energética.
Essa situação deixa o Brasil vulnerável, atuando mais como exportador de matérias-primas de baixo valor agregado e importador caro de produtos processados.
No entanto, existem oportunidades significativas para o Brasil se destacar no cenário global. Investimentos em infraestrutura logística, modernização das práticas de mineração e fortalecimento da fiscalização ambiental são passos essenciais.
Além disso, o fomento à indústria de transformação mineral pode posicionar o país como um protagonista na economia verde.
Com ações estratégicas, o Brasil pode não apenas suprir a demanda interna, mas também competir internacionalmente, integrando-se às cadeias globais de valor e garantindo um futuro sustentável e inovador.
