A expectativa da Petrobras é reduzir a necessidade de compras externas já em novembro, quando a Refinaria Presidente Getúlio Vargas deverá voltar às operações e a pressão sazonal sobre o consumo tende a perder intensidade.
A Petrobras entra em outubro com 650 milhões de litros de diesel importado já contratados para reforçar o abastecimento durante um dos períodos mais exigentes do calendário agrícola brasileiro. O volume funciona como complemento à produção das refinarias justamente quando o plantio da safra de verão e o transporte do milho elevam o consumo em várias regiões do país.
Petrobras reforça oferta antes do pico agrícola
A estratégia da estatal busca criar uma margem adicional de segurança para um mês no qual a procura pelo combustível costuma crescer de forma concentrada.
Essa pressão aparece principalmente em regiões agrícolas, onde máquinas utilizadas no campo e caminhões responsáveis pelo escoamento da produção passam a consumir volumes maiores em um intervalo relativamente curto.
A comparação com o ano anterior ajuda a dimensionar o reforço já contratado, pois as importações brasileiras alcançaram 1,6 bilhão de litros em outubro de 2025, segundo dados da ANP.
Os 650 milhões de litros previstos agora representam menos da metade daquele total, sinal de que a Petrobras espera atender parcela maior da demanda com combustível produzido dentro do país.
Essa composição entre produção nacional e importação ganha importância porque a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, atravessa uma parada programada para manutenção.
Mesmo com a indisponibilidade temporária da unidade, as demais refinarias da companhia permanecem com utilização elevada, o que sustenta parte relevante da oferta doméstica durante o período.
A perspectiva muda para novembro, quando a Repar deverá retornar às operações e a demanda ligada ao momento mais intenso da safra tende a perder força.
Nesse cenário, a Petrobras não trabalha com necessidade de repetir compras externas de grande porte, porque espera maior participação do refino nacional no atendimento ao mercado.
Diferença de preços aumenta atenção sobre importações
A confirmação do volume para outubro ocorre em um ambiente no qual distribuidores e importadores manifestaram preocupação com possíveis desequilíbrios localizados de oferta.
O ponto mais sensível está na combinação entre maior consumo sazonal e forte diferença entre o preço do diesel disponível no exterior e aquele praticado no mercado brasileiro.
Em determinados momentos, o combustível importado chegou a custar entre R$ 2 e R$ 3 por litro acima do produto comercializado internamente.
Essa distância reduz a atratividade econômica de novas compras externas e pode fazer com que eventuais pressões internacionais apareçam primeiro nos preços, antes de se transformar necessariamente em falta física de diesel.
O abastecimento também depende da capacidade de transportar o combustível das áreas de entrada até os principais centros consumidores, questão que ganha peso quando cresce a participação das importações.
O recebimento nos portos pode ocorrer sem grandes restrições, mas o deslocamento até regiões mais afastadas exige uma rede logística capaz de absorver volumes adicionais em pouco tempo.
Esse desafio torna-se mais evidente no interior do país, onde parte importante da distribuição depende do transporte rodoviário quando o diesel não chega diretamente por dutos conectados às refinarias.
Quanto maior a necessidade de retirar produto dos terminais portuários, maior também a pressão sobre caminhões, estradas e estruturas intermediárias de armazenagem.
A discussão sobre segurança do abastecimento, portanto, ultrapassa a simples disponibilidade de fornecedores externos e alcança a infraestrutura necessária para movimentar o combustível pelo território nacional.
Melhorias nas conexões ferroviárias e na integração entre portos e mercados consumidores poderiam ampliar a capacidade de resposta em períodos de demanda elevada.
Com os 650 milhões de litros já assegurados, a Petrobras procura atravessar outubro com uma combinação mais equilibrada entre importações e produção doméstica.
O desempenho desse planejamento dependerá principalmente da intensidade do consumo agrícola, do ritmo das refinarias em operação e da capacidade logística de levar o diesel às regiões onde a procura tende a crescer mais.
