O Canal do Panamá passou a operar sob forte pressão hídrica após a queda das reservas necessárias ao funcionamento das eclusas, o que obrigou as autoridades a reduzir o fluxo diário de navios.
Um petroleiro da Coreia do Sul estabeleceu um recorde no Canal do Panamá ao desembolsar US$ 5,3 milhões, aproximadamente R$ 27,5 milhões, para garantir passagem prioritária pela hidrovia. A cifra evidencia como a redução da capacidade operacional, provocada pela seca, elevou o custo para empresas que dependem de rapidez e previsibilidade no transporte internacional.
Petroleiro quebra recorde no Canal do Panamá
A sul-coreana SK Gas desembolsou US$ 5,3 milhões, cerca de R$ 27,5 milhões, para assegurar ao petroleiro G. Spirit uma posição privilegiada na travessia do Canal do Panamá.
O valor chama atenção principalmente quando comparado aos leilões realizados entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026, período em que a média paga ficou próxima de US$ 55 mil (aproximadamente R$ 285 mil)
A operação ocorreu pouco antes da adoção de novas restrições no número diário de embarcações autorizadas, cenário que aumentou o valor estratégico das vagas disponíveis.
Outro episódio relevante havia ocorrido em abril, quando um navio de gás natural liquefeito pagou US$ 4 milhões para antecipar sua passagem e evitar prejuízos associados a atrasos.
A sequência de cifras elevadas mostra como a escassez de horários passou a transformar a prioridade de trânsito em um recurso valioso para empresas com cargas sensíveis a prazos.
Seca aumenta pressão sobre o canal
A redução das chuvas comprometeu os reservatórios utilizados pelo sistema de eclusas do Canal do Panamá, situação que obrigou as autoridades panamenhas a rever a capacidade diária da hidrovia.
No lado do Pacífico, o déficit de precipitação alcançou 60%, enquanto onze bacias hidrográficas passaram a apresentar níveis preocupantes de estresse hídrico.
Diante desse quadro, o Panamá declarou estado de emergência e estabeleceu novas limitações para preservar a quantidade de água necessária às operações do canal.
O número de travessias deverá cair inicialmente de 36 para 34 por dia e, posteriormente, chegar a 32 embarcações conforme o cronograma definido pelas autoridades locais.
A limitação ganha relevância internacional porque aproximadamente 5% do comércio marítimo global utiliza essa passagem estratégica entre os oceanos Atlântico e Pacífico.
Estados Unidos, China, Japão, Chile e Coreia do Sul aparecem entre os principais usuários da rota, o que amplia os possíveis efeitos econômicos de uma restrição prolongada.
O histórico recente reforça essa preocupação, pois em 2023 o baixo nível dos reservatórios obrigou a redução das operações para apenas 22 navios por dia.
As projeções indicam que os efeitos do El Niño podem avançar até maio de 2027, fator que mantém o risco de novos gargalos e custos adicionais no transporte marítimo.
