A área de florestas comerciais chegou a 10,4 milhões de hectares em 2025, com o eucalipto responsável por 78,6% dessa extensão no país.
A produção florestal brasileira encerrou 2025 com valor recorde de R$ 47,9 bilhões, segundo dados do IBGE, resultado que refletiu sobretudo o fortalecimento das atividades ligadas às florestas plantadas. Ao mesmo tempo, o avanço da silvicultura ampliou a distância em relação ao extrativismo vegetal e reforçou a importância econômica das cadeias associadas à madeira para uso industrial.
Silvicultura responde pela maior parte do resultado
Dos R$ 47,9 bilhões movimentados pela produção florestal, R$ 41 bilhões vieram da silvicultura, valor 8,6% superior ao registrado em 2024.
Com esse desempenho, a atividade passou a concentrar 85,6% do total nacional e ampliou uma liderança sobre a extração vegetal que permanece desde 1998.
A força econômica das florestas plantadas está diretamente ligada à demanda industrial por madeira, responsável por 98,1% do valor obtido pela silvicultura brasileira.
Entre os principais destinos, a madeira em tora usada na fabricação de papel e celulose alcançou R$ 17,6 bilhões, após crescimento anual de 16,3%.
Esse avanço também ocorreu sobre uma base produtiva maior, já que a área de florestas comerciais chegou a 10,4 milhões de hectares, alta de 4,8% em um ano.
O eucalipto ocupa 78,6% dessa superfície e possui forte presença na cadeia de papel e celulose, enquanto sua soma com o pinus corresponde a 96,5% dos plantios comerciais.
O aumento simultâneo da área cultivada e do valor obtido com a madeira ajuda a explicar por que a silvicultura se tornou cada vez mais determinante para o desempenho da produção florestal brasileira.
A expansão também reforça a conexão entre os plantios comerciais e setores industriais que dependem de fornecimento contínuo de matéria-prima.
Produção se concentra em polos especializados
A relevância da silvicultura aparece de forma desigual pelo território brasileiro, com alguns estados e municípios responsáveis por parcelas expressivas do valor gerado pela atividade.
Minas Gerais liderou entre as unidades da Federação, com R$ 9,2 bilhões, equivalente a 22,5% da produção nacional.
O estado também teve posição dominante no carvão vegetal, ao responder por 84,6% de todo o volume produzido no país durante o período analisado.
Essa participação mostra como determinadas regiões possuem cadeias florestais fortemente associadas a atividades industriais específicas.
Entre os municípios, Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul, chegou ao primeiro lugar nacional ao registrar R$ 1,8 bilhão em valor de produção.
O resultado ficou 216,3% acima daquele observado em 2024 e reforçou a importância de polos ligados ao processamento industrial das florestas plantadas.
Extração vegetal reduz participação no total
Enquanto a silvicultura avançou, a extração vegetal encerrou 2025 com R$ 6,9 bilhões, após redução de 3,1% em relação ao ano anterior.
A queda teve forte influência dos produtos madeireiros provenientes de vegetação nativa, cujo valor recuou 9,6% no mesmo intervalo.
Mato Grosso e Pará concentraram parte relevante dessa atividade, com participação conjunta de 60,7% no volume nacional de madeira em tora retirada de vegetação nativa. Em valor, a presença dos dois estados foi ainda maior, pois alcançou 77% do total desse produto no país.
O desempenho foi diferente entre os itens não madeireiros, que somaram R$ 2,6 bilhões e cresceram 9,6% na comparação anual. O açaí liderou esse grupo com R$ 1,1 bilhão, seguido pela erva-mate, cuja produção alcançou R$ 562,3 milhões.
A pesquisa do IBGE também passou a acompanhar produtos como baru, buriti, cajá, cupuaçu, juçara, macaúba, pupunha, tucum, andiroba e murumuru.
A ampliação permite observar com maior detalhe atividades extrativas que possuem menor peso financeiro, mas diversificam a composição econômica da produção florestal brasileira.
