O rebanho bovino brasileiro manteve o Centro-Oeste como principal região produtora, apesar de o efetivo local ter caído 3,7% em 2025.
O Brasil terminou 2025 com menos bovinos pelo segundo ano consecutivo, em um movimento associado ao ritmo elevado de abates observado nos últimos quatro anos, especialmente entre as fêmeas. O efetivo nacional caiu 1,7% e chegou a 234,3 milhões de cabeças, menor quantidade desde 2022, conforme os dados da Pesquisa da Produção da Pecuária Municipal, do IBGE.
Redução do rebanho reflete fase de maior abate
A queda nacional aparece em um momento no qual a pecuária bovina atravessa uma fase de retirada mais intensa de animais do sistema produtivo, com impacto direto sobre o tamanho dos plantéis.
O movimento afeta sobretudo a capacidade de recomposição futura quando envolve maior participação de fêmeas nos abates, já que essa parcela possui papel decisivo na expansão dos rebanhos.
O Centro-Oeste apresentou a maior retração entre as regiões brasileiras, com queda de 3,7% pelo terceiro ano consecutivo, embora tenha preservado a liderança nacional.
A região encerrou 2025 com 72,2 milhões de bovinos, quantidade equivalente a 30,8% de todo o efetivo registrado no país.
Na sequência aparece o Norte, onde o número de animais diminuiu 1,8% e terminou o ano em 63,4 milhões de cabeças. Mesmo com a redução, a região continuou com o segundo maior efetivo bovino do Brasil.
O Sul registrou queda de 1,7%, mesma variação observada no total nacional, e fechou 2025 com aproximadamente 24,1 milhões de bovinos. Já o Sudeste teve retração mais moderada, de 1%, e contabilizou 37,3 milhões de cabeças ao final do período.
O Nordeste destoou das demais regiões e foi o único a ampliar seu rebanho, com crescimento de 2,2% durante o ano. O avanço levou o efetivo regional a 37,3 milhões de animais, mesma quantidade observada no Sudeste.
São Félix do Xingu, no Pará, continuou com o maior rebanho municipal do país e contabilizou aproximadamente 2,7 milhões de bovinos no encerramento do ano.
Corumbá, Porto Velho, Cáceres e Marabá também permaneceram entre os maiores efetivos locais, o que reforça a importância do Norte e do Centro-Oeste na bovinocultura.
Ovos, aquicultura e pequenos rebanhos alcançam recordes
Outras atividades também contribuíram para o crescimento econômico da pecuária, com novos máximos registrados na produção de ovos, mel, camarão e em alguns efetivos animais.
O plantel de galináceos chegou a 1,6 bilhão de cabeças, enquanto o número de galinhas destinadas à postura aumentou 5,8% e alcançou 293,3 milhões.
A produção brasileira de ovos atingiu 5,7 bilhões de dúzias, maior quantidade da série histórica, ao mesmo tempo em que caprinos e ovinos alcançaram 13,5 milhões e 22,3 milhões de animais, respectivamente.
Esses resultados ampliam o quadro de expansão fora da bovinocultura e mostram que a retração do principal rebanho nacional não se repetiu em todos os segmentos.
Na aquicultura, a produção de peixes avançou 7,1% e chegou a 783 mil toneladas, com a tilápia responsável por 68,2% desse volume nacional.
O camarão apresentou crescimento ainda mais intenso, de 18,2%, e alcançou 172,4 mil toneladas, enquanto a produção de mel aumentou 4,5% e atingiu 71,3 mil toneladas.
O conjunto dos dados mostra duas tendências simultâneas na pecuária brasileira em 2025, com redução do efetivo bovino e crescimento do valor econômico obtido por diversas cadeias.
A combinação entre maior produtividade, recordes em outras atividades e diferenças regionais ajuda a explicar por que o setor ampliou receitas mesmo após mais um ano de retração no rebanho bovino.
Valor da pecuária cresce mesmo com rebanho menor
A redução do número de bovinos não impediu que o valor da produção pecuária brasileira alcançasse R$ 141,2 bilhões em 2025, resultado 6,2% superior ao registrado no ano anterior.
Desse total, R$ 128 bilhões vieram de produtos de origem animal, enquanto a aquicultura acrescentou outros R$ 13,2 bilhões à atividade.
O leite permaneceu como principal componente econômico dessa produção e movimentou R$ 89,5 bilhões, o equivalente a 63,4% do valor total calculado pelo IBGE.
O volume produzido alcançou 36,7 bilhões de litros, novo recorde nacional, apesar de o país registrar redução de 2,7% na quantidade de vacas ordenhadas.
O número desses animais caiu para 14,7 milhões, menor contingente desde 1979, mas a produtividade média avançou 5,6% e atingiu 2.498,7 litros por vaca durante o ano.
Esse contraste revela uma pecuária leiteira capaz de ampliar a produção mesmo com uma base menor de animais, o que reforça o peso dos ganhos de eficiência no resultado agregado.
