A recuperação judicial no agro também perdeu força frente ao início de 2026, com redução de 5,5% sobre os 474 pedidos registrados entre janeiro e março.
O segundo trimestre de 2026 trouxe uma mudança importante no comportamento das recuperações judiciais do agronegócio, com 448 solicitações registradas entre abril e junho. Apesar da redução de 20,7% frente ao ano anterior, o resultado ainda ocorre em um ambiente marcado por restrições financeiras e maior cautela na concessão de crédito.
Produtores pessoa jurídica tiveram queda mais intensa
Entre os produtores rurais organizados como pessoa jurídica, foram contabilizados 160 pedidos, quantidade 34,2% inferior à observada no mesmo trimestre do ano passado.
Os produtores que atuam como pessoa física apresentaram 197 solicitações, com redução de 10,5% na mesma comparação anual utilizada pelo levantamento da Serasa Experian.
A diferença entre esses resultados mostra que a diminuição dos pedidos ocorreu em ritmos distintos entre os perfis analisados, embora ambos tenham apresentado retração.
Na classificação relacionada à condição e ao porte da propriedade, produtores sem imóveis próprios concentraram 70 solicitações, grupo que também pode reunir pessoas que trabalham com áreas arrendadas.
Grandes proprietários responderam por 51 casos, enquanto pequenos produtores contabilizaram 39 pedidos e produtores de porte médio apresentaram outras 37 solicitações no período.
Soja lidera pedidos e Mato Grosso concentra casos
Entre as atividades econômicas avaliadas, o cultivo de soja apresentou a maior quantidade de recuperações judiciais, com 70 solicitações registradas durante o segundo trimestre.
A criação de bovinos ocupou a posição seguinte, com 28 pedidos, número significativamente inferior ao observado entre produtores e empresas ligados à produção de soja.
A distribuição regional também apresentou concentração importante, com Mato Grosso na liderança nacional após contabilizar 107 solicitações entre abril e junho de 2026.
Goiás apareceu depois com 84 casos, enquanto São Paulo registrou 72 pedidos, Minas Gerais contabilizou 54 e o Paraná somou outras 42 solicitações.
Os números mostram que, apesar da redução geral observada no trimestre, recuperações judiciais continuam presentes em estados e atividades importantes para a produção agropecuária brasileira.
Recuo ainda exige cautela na análise
A Serasa Experian associa a redução a uma combinação de maior entrada de receitas em alguns segmentos, características sazonais das atividades agropecuárias e avanços nas negociações com credores.
Mesmo com esses fatores, o ambiente financeiro permanece pressionado por custos elevados e maior seletividade na oferta de crédito, cenário que ainda impõe dificuldades para diferentes agentes do setor.
Por esse motivo, a queda observada entre abril e junho não permite concluir, isoladamente, que houve uma melhora estrutural na situação financeira do agronegócio brasileiro.
A evolução dos próximos trimestres deverá indicar se o número menor de solicitações representa uma mudança mais duradoura ou apenas uma interrupção temporária da tendência anterior.
