Safra brasileira deve alcançar 352,9 milhões de toneladas em 2026

Estimativa do IBGE aponta crescimento anual da produção agrícola, com avanço da área colhida e forte concentração do resultado entre os maiores estados produtores.

A safra brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas deve encerrar 2026 em 352,9 milhões de toneladas, segundo o IBGE, resultado que mantém o país em um patamar elevado de oferta agrícola. Frente ao volume obtido em 2025, a projeção representa crescimento de 2,0%, com acréscimo aproximado de 6,8 milhões de toneladas ao resultado nacional.

Produção permanece concentrada em grandes polos agrícolas

O avanço previsto para este ano ocorre junto de uma expansão da superfície destinada às colheitas, que deve alcançar 83,1 milhões de hectares em todo o país.

Essa extensão supera em 1,8% a área utilizada no ciclo anterior e reforça o peso territorial da agricultura na sustentação do resultado nacional.

Apesar do crescimento agregado, a distribuição da produção permanece bastante desigual entre as regiões, com o Centro-Oeste responsável por pouco mais da metade de todo o volume brasileiro.

A região deve alcançar 178 milhões de toneladas, equivalentes a 50,4% do total, enquanto o Sul aparece na sequência com 91,8 milhões de toneladas.

Mato Grosso conserva ampla vantagem entre os estados produtores e concentra 32,1% da safra nacional prevista para 2026, participação muito superior à registrada individualmente pelas demais unidades.

Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais completam o grupo com maior peso sobre o resultado agrícola brasileiro.

O desempenho regional também apresenta trajetórias diferentes na comparação com 2025, porque Sul e Nordeste ampliam seus volumes enquanto Norte e Centro-Oeste registram pequenas retrações.

O Sudeste permanece próximo da estabilidade, o que mostra que o crescimento nacional resulta de movimentos bastante distintos entre as principais áreas produtoras do país.

Soja, milho e arroz sustentam maior parte da safra

A estrutura produtiva continua fortemente concentrada em soja, milho e arroz, que juntos representam 92,9% de todo o volume considerado na estimativa do IBGE.

Essas três culturas também ocupam 87,4% da área prevista para colheita, proporção que evidencia sua influência sobre logística, armazenagem, processamento e exportações agrícolas.

A soja aparece como principal componente desse resultado, com expectativa de 174,8 milhões de toneladas e crescimento de 5,3% frente ao ano passado.

O volume estabelece novo máximo na série do instituto, favorecido por melhora de produtividade, ampliação da área e recuperação das lavouras em estados do Sul.

O milho também permanece em nível historicamente elevado, com projeção de 141,8 milhões de toneladas e pouca diferença em relação ao total registrado durante 2025.

Dentro desse volume, a safra inicial alcança 29,7 milhões de toneladas e cresce 15,5%, enquanto a segunda etapa soma 112,1 milhões e recua 3,4%.

Entre os alimentos básicos, o arroz apresenta uma redução mais expressiva, com previsão de 11,2 milhões de toneladas e queda anual de 11,2%.

O feijão também perde volume, com estimativa de 2,8 milhões de toneladas e retração de 6,6%, enquanto o trigo deve cair 18,9% e alcançar 6,3 milhões.

O sorgo se destaca na direção oposta, com crescimento de 8,1% no volume produzido e avanço de 23,4% na extensão destinada à colheita.

Já o algodão herbáceo apresenta redução de 6,7% frente ao resultado de 2025, o que sinaliza menor produção dentro do levantamento atual.

A cana-de-açúcar deve alcançar 705,2 milhões de toneladas, com volume próximo ao registrado no ano passado apesar de uma revisão negativa na estimativa mais recente.

O conjunto dessas projeções mostra uma safra marcada por recordes nas principais commodities, mas também por perdas relevantes em culturas importantes para o abastecimento doméstico.

Exit mobile version