O novo protocolo brasileiro de rastreamento sanitário passou a ocupar posição central nas discussões sobre a carne bovina, ao buscar comprovar o histórico dos animais desde o nascimento até o abate.
A cadeia brasileira de carne bovina trabalha com a expectativa de recuperar ainda em 2026 a autorização necessária para voltar ao mercado da União Europeia. O setor projeta que os embarques sejam retomados em 2027, após a definição de condições que permitam adequar a produção brasileira às exigências sanitárias adotadas pelo bloco.
Setor espera relistagem ainda em 2026
A primeira etapa para recuperar o mercado europeu será a reinclusão do Brasil entre os países considerados aptos a fornecer proteína animal para a União Europeia.
Essa decisão, porém, não significará uma retomada automática das exportações, porque a carne bovina precisa atender requisitos que abrangem todo o histórico dos animais.
As regras europeias exigem comprovação de que determinados antimicrobianos não foram utilizados desde o nascimento do bovino até o momento em que ele chega ao abate.
Como esse ciclo produtivo pode levar aproximadamente dois anos, o setor considera necessário negociar uma transição que permita antecipar a reabertura comercial.
A expectativa é construir uma solução que reconheça os novos controles adotados pelo Brasil sem exigir que todo o mercado espere dois anos após a relistagem.
Esse entendimento seria decisivo para tornar viável a retomada em 2027, prazo hoje considerado possível pelos representantes da cadeia produtiva.
O Brasil deixou a lista europeia após questionamentos sobre os mecanismos nacionais utilizados para comprovar o histórico sanitário dos animais, sem que a suspensão decorresse de problemas encontrados diretamente na carne brasileira.
A discussão passou, portanto, a concentrar atenção sobre rastreabilidade, documentação e capacidade de demonstrar o cumprimento das exigências ao longo da criação.
Novos controles podem apoiar o retorno
O governo federal adotou em junho um novo protocolo para acompanhar os bovinos desde o nascimento até o abate, resposta destinada a fortalecer justamente a comprovação exigida pelas autoridades europeias.
A aceitação desse sistema será uma das condições relevantes para que o país recupere sua posição entre os fornecedores autorizados.
O setor também observa como sinal favorável as avaliações realizadas pela União Europeia nas cadeias brasileiras de mel e carne de frango, que receberam resultados positivos sobre seus controles sanitários.
O Ministério da Agricultura espera avanços próximos nesses mercados, embora ainda não exista uma data definida para nova missão europeia específica sobre a carne bovina.
A importância da relistagem ultrapassa as vendas destinadas diretamente à União Europeia, porque mais de 20 mercados utilizam regras europeias como referência para suas próprias decisões sanitárias.
A Noruega também interrompeu compras de proteína animal brasileira após a exclusão, enquanto Argentina, Paraguai e Uruguai permaneceram autorizados a atender o mercado europeu.
Nesse cenário, a retomada das exportações brasileiras em 2027 exige uma sequência clara de avanços, começando pela relistagem ainda em 2026 e pela aceitação dos controles implantados no país.
Depois dessa etapa, uma negociação sobre o período de transição deverá definir quando os frigoríficos poderão voltar a enviar carne bovina ao bloco europeu.
*Com informações g1
