Vale estuda extrair terras raras e ouro de rejeitos de mineração

Os rejeitos de mineração podem ganhar uma nova função econômica caso os estudos confirmem concentrações suficientes de minerais capazes de sustentar projetos comerciais.

A Vale passou a avaliar uma nova possibilidade para ampliar o valor econômico de materiais já extraídos, com estudos voltados à recuperação de ouro, terras raras e outros minerais presentes em rejeitos. A informação foi confirmada por Rafael Bittar, vice-presidente executivo técnico da mineradora, que indicou uma postura cautelosa diante dos resultados iniciais.

Rejeitos entram no radar mineral da Vale

A Vale abriu uma nova frente de pesquisa para descobrir se materiais acumulados após o processamento mineral podem esconder recursos com potencial comercial ainda não aproveitado pela companhia.

Ouro e elementos de terras raras estão entre os alvos dessa investigação, que procura enxergar os depósitos existentes como possíveis fontes secundárias de matérias-primas, em vez de considerá-los somente como passivos da atividade mineral.

Equipes da mineradora conduzem análises dentro e fora do Brasil para compreender quais substâncias permanecem nesses materiais e se alguma delas pode sustentar uma operação economicamente competitiva.

Até agora, nenhuma oportunidade relacionada a esses minerais alcançou maturidade suficiente para confirmar um empreendimento comercial, portanto uma eventual produção ainda depende de avanços técnicos e financeiros.

Mesmo nessa fase preliminar, a companhia considera favoráveis os sinais obtidos nas pesquisas, mas evita estabelecer metas de produção antes que estudos mais detalhados comprovem retorno econômico.

As terras raras ocupam posição particularmente estratégica nessa avaliação por causa de sua presença em diferentes tecnologias modernas, desde componentes eletrônicos até sistemas empregados nos setores energético, automotivo e militar.

A iniciativa pode abrir uma alternativa para aumentar o valor extraído de materiais que já passaram pelas operações da empresa, sem vincular esse crescimento exclusivamente ao processamento de novas quantidades de minério.

Salobo abre outra frente para reaproveitamento

Enquanto ouro e terras raras permanecem em uma etapa exploratória, uma iniciativa relacionada à mina de Salobo, no Pará, já alcançou um nível mais avançado de avaliação técnica dentro da companhia.

Nesse caso, o objetivo consiste em verificar como parte do ferro que permanece após o beneficiamento do cobre pode retornar à cadeia produtiva como um produto comercial adicional.

A empresa já trabalha em aspectos de engenharia dessa alternativa, embora ainda existam etapas necessárias antes de uma decisão que transforme o estudo em uma nova operação industrial.

Salobo possui importância relevante na produção de cobre da Vale, característica que torna seus resíduos uma oportunidade para testar um modelo capaz de gerar mais de um produto a partir dos recursos processados.

Se a solução apresentar resultados técnicos e financeiros satisfatórios, uma parcela do material que permaneceria sem aproveitamento poderá ganhar uma segunda finalidade dentro da própria atividade mineral.

Essa abordagem também pode reduzir proporcionalmente a quantidade destinada às estruturas de disposição, ao mesmo tempo que amplia o retorno obtido sobre recursos naturais retirados anteriormente do solo.

A estratégia de longo prazo da Vale passa, portanto, por elevar o aproveitamento de cada material extraído e desenvolver novas fontes de receita a partir de substâncias que antes não integravam o produto principal das minas.

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