Em 2024, Sorriso (MT) se destacou como o maior produtor agrícola do Brasil, com ênfase na soja, milho e algodão, apesar dos efeitos do El Niño. A produção de cana-de-açúcar enfrentou volatilidade climática e de preços, enquanto a produção de café cresce devido a condições favoráveis e inovações nas práticas agrícolas.
Em 2024, o valor da produção agrícola do Brasil caiu 3,9% em relação a 2023, atingindo R$ 783,2 bilhões, segundo dados do IBGE. A queda nos preços e na safra de grãos, que somou 292,5 milhões de toneladas, impactou negativamente o setor pelo segundo ano consecutivo. Soja e milho foram as culturas mais afetadas, refletindo as adversidades climáticas.
Queda nos preços e impacto na produção
Em 2024, a produção agrícola brasileira enfrentou desafios significativos devido à queda nos preços das principais commodities e à redução na safra de grãos.
O valor total da produção caiu 3,9% em comparação com 2023, alcançando R$ 783,2 bilhões. Esta retração é o segundo declínio consecutivo, destacando as dificuldades enfrentadas pelo setor.
Os preços de soja e milho, que juntos representam quase 88,7% da produção de grãos do país, foram particularmente afetados.
A soja, por exemplo, viu uma queda de 25,4% no valor da produção, enquanto o milho registrou uma redução de 13,5%.
Esses números refletem não apenas a diminuição das cotações no mercado internacional, mas também os efeitos de condições climáticas adversas, como o fenômeno El Niño, que impactou severamente as safras de verão.
Além disso, a pressão sobre os preços foi exacerbada pela oferta elevada e pela competitividade no mercado global, que resultou em uma menor margem para os produtores brasileiros.
A situação foi agravada pela alta nos custos de produção, que não foi compensada pelo aumento nos preços de venda, levando a uma redução na rentabilidade das lavouras.
Com a queda nos preços, muitos agricultores optaram por reduzir o investimento em áreas de cultivo de menor rentabilidade, como o milho, e buscar alternativas mais lucrativas, como a ampliação das áreas de algodão e soja.
Essa estratégia visou minimizar perdas e adaptar-se às novas condições do mercado, embora a recuperação total ainda dependa de uma série de fatores externos, incluindo a estabilização dos preços e a melhoria das condições climáticas.
Safra de grãos em declínio
A safra de grãos no Brasil em 2024 registrou uma queda expressiva, com uma produção total de 292,5 milhões de toneladas, representando uma redução de 7,5% em relação ao ano anterior.
Essa retração foi impulsionada por uma combinação de fatores climáticos adversos e quedas nos preços das principais commodities, como soja e milho.
O fenômeno El Niño teve um impacto significativo, causando estiagens prolongadas em regiões críticas para a produção agrícola, como o Centro-Oeste, Sudeste e parte do Paraná.
Essas condições climáticas desfavoráveis resultaram em uma diminuição no rendimento das lavouras, afetando diretamente a produtividade e, consequentemente, o valor da produção agrícola.
Entre os grãos mais afetados, a soja e o milho foram os que mais sentiram o impacto. A produção de soja caiu 5,0%, totalizando 144,5 milhões de toneladas, enquanto o milho registrou uma queda de 12,9%, com 115,0 milhões de toneladas colhidas.
Esses dois grãos, que são pilares da produção agrícola brasileira, enfrentaram desafios adicionais devido à redução de preços no mercado internacional.
Apesar das adversidades, o Brasil manteve sua posição de destaque como um dos maiores produtores e exportadores globais de grãos.
No entanto, a necessidade de adaptação às novas condições de mercado e clima é evidente, exigindo estratégias inovadoras e investimentos em tecnologias que possam mitigar os efeitos das variações climáticas e garantir a sustentabilidade da produção a longo prazo.
Expansão da área plantada
Em 2024, o Brasil continuou a expandir sua área plantada, totalizando 97,3 milhões de hectares, um aumento de 1,2% em relação ao ano anterior.
Esse crescimento reflete a busca por maior produtividade e diversificação das culturas, mesmo diante de desafios econômicos e climáticos.
A soja liderou essa expansão, com um acréscimo de 1,8 milhão de hectares na área cultivada, consolidando-se como a principal cultura do país.
Essa ampliação foi impulsionada pela demanda global e pela necessidade de maximizar a produção em um cenário de preços voláteis.
Além da soja, o algodão também apresentou um crescimento significativo, com um aumento de 280,8 mil hectares, refletindo a estratégia dos produtores de investir em culturas mais rentáveis.
Por outro lado, a área plantada de milho sofreu uma redução de 4,9%, resultado das condições de mercado menos favoráveis e da busca por alternativas agrícolas mais lucrativas.
Essa diminuição foi mais acentuada em estados como Paraná e Goiás, onde os produtores optaram por diversificar suas lavouras em resposta às pressões econômicas.
O aumento na área plantada é um indicativo da resiliência do setor agrícola brasileiro, que busca constantemente adaptar-se às condições de mercado e clima.
Desempenho por estados brasileiros
O desempenho da produção agrícola em 2024 variou significativamente entre os estados brasileiros, refletindo as condições climáticas e as estratégias adotadas por cada região.
Mato Grosso, apesar de liderar o ranking nacional, registrou uma retração de 21,3% no valor de produção, totalizando R$ 120,8 bilhões.
O estado, principal produtor de soja e milho, foi fortemente impactado pela queda nos preços e pelas adversidades climáticas.
São Paulo, por outro lado, apresentou um crescimento de 4,9% no valor de produção, impulsionado principalmente pela produção de laranja e café arábica.
O estado manteve sua posição de destaque, com um total de R$ 30,0 bilhões gerados, refletindo o aumento nos preços dessas commodities e a eficiência na gestão agrícola.
Minas Gerais, maior produtor de café do país, alcançou a terceira posição em valor de produção, com um crescimento de 6,9%, totalizando R$ 86,6 bilhões.
O estado se beneficiou do aumento nas cotações do café, apesar das dificuldades climáticas que afetaram a produtividade.
O Rio Grande do Sul, conhecido pela produção de arroz e trigo, teve um crescimento de 21,1% no valor de produção, gerando R$ 75,7 bilhões.
Mesmo enfrentando excesso de chuvas, o estado conseguiu recuperar parte das perdas anteriores, destacando-se na produção de soja e arroz.
O Paraná, no entanto, enfrentou uma retração de 20,3% no valor de produção, caindo para a quinta posição nacional. O estado foi severamente afetado por problemas climáticos que impactaram a produção de grãos.
Goiás também registrou um valor de produção reduzido, representando 7,7% do total nacional, devido à queda na produção de soja, cana-de-açúcar e milho.
Sorriso (MT) lidera produção
Sorriso, no Mato Grosso, consolidou-se como o principal município em produção agrícola do Brasil pelo sexto ano consecutivo em 2024.
Com uma contribuição significativa para o setor de grãos, Sorriso respondeu por 0,9% do total nacional, destacando-se na produção de soja, milho e algodão.
O município registrou o maior valor de produção de milho no país, totalizando R$ 2,4 bilhões, além de ser o terceiro maior em produção de soja, com R$ 3,3 bilhões. Sorriso também se destacou na produção de algodão, ocupando a sexta posição nacional, com R$ 1,3 bilhão gerado.
A liderança de Sorriso reflete não apenas a extensão das áreas cultivadas, mas também a eficiência dos produtores locais em adotar práticas agrícolas modernas e sustentáveis.
O município tem investido em tecnologia e inovação para aumentar a produtividade e minimizar os impactos climáticos adversos.
A importância de Sorriso no cenário agrícola nacional é evidenciada pela sua capacidade de adaptação e resiliência frente às condições de mercado e clima.
A continuidade dos investimentos em infraestrutura e tecnologia será crucial para manter sua posição de liderança e contribuir para o crescimento do setor agrícola brasileiro.
