Acordo de livre comércio entre Mercosul e EFTA avança para promulgação

Acordo de livre comércio com Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça prevê benefícios tarifários para cerca de 97% das trocas comerciais.

A aprovação em regime de urgência pelo Senado colocou o acordo de livre comércio entre Mercosul e EFTA mais próximo de entrar em vigor, abrindo uma nova etapa para as relações comerciais entre o Brasil e países europeus de alta renda. O tratado, que envolve Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça, prevê liberalização tarifária, medidas para reduzir barreiras sanitárias e mecanismos de cooperação técnica voltados a facilitar exportações brasileiras.

Setores beneficiados pela liberalização tarifária

Segundo a Agência Senado, o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a EFTA, assinado no Rio de Janeiro em setembro de 2025, traz significativos benefícios tarifários para diversos setores econômicos.

Composto por 16 capítulos, o tratado cobre áreas como comércio de bens, serviços, investimentos e propriedade intelectual.

Na área de comércio de bens, o acordo prevê a isenção de tarifas para cerca de 97% das transações entre o Brasil e a EFTA.

Isso inclui a redução gradual de taxas para 1,2%, beneficiando produtos agrícolas como laticínios, chocolates e fórmulas infantis, que receberão quotas tarifárias específicas.

Do lado da EFTA, os países membros eliminarão 100% das tarifas de importação nos setores industriais e pesqueiro assim que o acordo entrar em vigor.

Isso permitirá que produtos brasileiros tenham acesso livre ao mercado europeu, abrangendo quase 99% do valor exportado.

Além disso, o Brasil poderá aproveitar as quotas agrícolas oferecidas por Suíça, Liechtenstein e Noruega para produtos como carne bovina, carne de aves, milho, farinha de milho, mel e óleos vegetais.

Esses benefícios tarifários prometem fortalecer a competitividade dos produtos brasileiros nos mercados internacionais.

Impacto das barreiras sanitárias e cooperação técnica

O acordo entre Mercosul e EFTA incorpora importantes medidas para superar barreiras sanitárias, facilitando a exportação de produtos de origem animal.

Um dos principais avanços é o sistema de listas pré-estabelecidas, que reconhece previamente a estrutura de inspeção sanitária do Brasil, simplificando a exportação de carnes e outros alimentos.

Além disso, o acordo estabelece procedimentos de regionalização, permitindo que produtos sejam exportados mesmo em casos de surtos localizados de doenças, desde que as áreas afetadas sejam devidamente controladas.

Outro aspecto relevante é a cooperação técnica entre as autoridades sanitárias dos dois blocos, promovendo o intercâmbio de informações e práticas para garantir a segurança dos alimentos comercializados.

Essa colaboração visa harmonizar regulamentos e procedimentos, reduzindo custos e agilizando processos de exportação.

A Noruega, um dos países da EFTA, já concluiu a tramitação necessária para ratificar o acordo, que prevê um mecanismo de entrada em vigor bilateral.

Isso significa que os países que concluírem seus procedimentos internos podem começar a aplicar o acordo, sem precisar esperar a ratificação de todos os membros dos blocos.

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