Ação climática é o seguro mais barato do mundo, diz estudo

Um estudo recente destaca a importância da ação climática como uma forma de seguro econômico, ressaltando que os governos frequentemente arcam com os custos de desastres que não estão segurados.

A ação climática é considerada o seguro mais econômico contra desastres naturais, segundo estudo da Universidade de Viena. Com eventos climáticos extremos causando perdas significativas, investir em adaptação climática se torna uma necessidade econômica e ambiental.

Perdas econômicas causadas por eventos climáticos

Entre 1980 e 2021, eventos climáticos extremos causaram perdas econômicas superiores a €560 bilhões na UE27, conforme estudo encomendado pela MEP Lena Schilling da Universidade de Economia e Negócios de Viena. Apenas de 25 a 33% dessas perdas foram seguradas, destacando a lacuna de proteção climática.

Até 2050, projeta-se que as perdas de produção na região ultrapassem €5 trilhões, com um aquecimento de 3°C, o PIB pode cair cerca de 10%.

Essa lacuna de proteção climática significa que a maioria dos danos climáticos não é absorvida por mercados de seguros privados, mas transferida diretamente para os orçamentos públicos.

O estudo da professora Sigrid Stagl argumenta que a proteção climática é não apenas uma necessidade ambiental, mas uma racionalidade econômica.

Investir em adaptação climática pode evitar perdas significativas, enquanto a inação representa um passivo econômico crescente.

Agir contra mudanças climáticas sai mais barato

De acordo com os pesquisadores, os custos de reduzir emissões e adaptar infraestruturas são significativamente menores do que os prejuízos acumulados provocados por eventos climáticos extremos, como enchentes, secas prolongadas e ondas de calor.

A análise aponta que cada valor aplicado hoje em mitigação pode evitar gastos muito superiores no futuro, tanto em reconstrução de cidades e infraestrutura quanto em perdas de produtividade, impactos na saúde pública e danos ao setor agrícola.

Para especialistas, a ação climática funciona como um seguro preventivo: exige investimento antecipado, mas reduz drasticamente o risco de colapsos econômicos e crises sociais.

O estudo também destaca que a inação amplia a pressão sobre orçamentos públicos e sistemas de seguro, além de comprometer cadeias produtivas e o crescimento do PIB.

Setores como energia, transporte, agricultura e indústria estão entre os mais expostos aos efeitos da instabilidade climática, o que reforça a necessidade de políticas coordenadas e planejamento de longo prazo.

O levantamento reforça o argumento de que políticas climáticas não devem ser vistas apenas como agenda ambiental, mas como estratégia econômica de proteção e estabilidade, capaz de preservar competitividade e reduzir riscos sistêmicos no médio e longo prazo.

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