A lista dos agrotóxicos mais vendidos no Brasil reúne substâncias relacionadas a danos sobre insetos, anfíbios e comunidades expostas às aplicações agrícolas.
O contraste entre a ampla utilização de determinados agrotóxicos no Brasil e sua proibição na União Europeia revela abordagens distintas sobre riscos químicos na agricultura. O debate alcança desde os efeitos sobre biodiversidade e saúde humana até a atuação da Anvisa, do Ibama e do Ministério da Agricultura na revisão das autorizações existentes.
Brasil utiliza agrotóxicos proibidos no mercado europeu
Sete entre os dez agrotóxicos com maior utilização na agricultura brasileira em 2023 não possuem autorização para uso nos países integrantes da União Europeia.
A relação proibida no bloco europeu inclui mancozebe, 2,4-D, acefato, clorotalonil, atrazina, S-metolacloro e dibrometo de diquate.
Os outros três produtos presentes entre os mais utilizados no país são glifosato e seus sais, glufosinato de amônio e malationa.
A diferença entre as normas brasileiras e europeias revela critérios distintos para avaliar riscos à saúde, impactos ambientais e permanência dessas substâncias no mercado.
Queda de insetos amplia preocupação ambiental
Entre 2009 e 2019, a população mundial de insetos apresentou redução de 41%, enquanto o número de borboletas caiu 53%, conforme o Atlas dos Pesticidas 2022.
Esses animais exercem funções essenciais para a polinização, a decomposição de matéria orgânica, o equilíbrio das cadeias alimentares e a conservação da biodiversidade.
A atrazina, sexta substância mais comercializada no Brasil e vetada na União Europeia, também aparece associada a alterações reprodutivas em anfíbios.
A redução dessas espécies pode comprometer o controle natural de pragas, a reprodução de plantas e a disponibilidade de alimentos para outros animais silvestres.
Na saúde humana, a exposição frequente a esses compostos aparece relacionada a câncer, distúrbios hormonais, malformações fetais e outros problemas graves.
Trabalhadores rurais e comunidades próximas das áreas agrícolas enfrentam maior vulnerabilidade quando faltam equipamentos adequados, informações claras e fiscalização rigorosa sobre as aplicações.
Reavaliações podem restringir ou retirar produtos do mercado
A Lei 14.785 organiza o registro e a fiscalização dos agrotóxicos por meio da participação de diferentes órgãos federais.
O Ministério da Agricultura e Pecuária responde pelas autorizações, enquanto a Anvisa analisa os efeitos toxicológicos e o Ibama avalia possíveis danos ambientais.
No Brasil, os registros possuem prazo indeterminado, mas podem passar por novas análises diante de indícios relacionados à saúde, ao ambiente ou à eficiência agronômica.
Essas revisões permitem manter a comercialização, estabelecer condições adicionais de uso ou retirar definitivamente a autorização dentro do território nacional.
Desde 2006, a Anvisa concluiu vinte processos de reavaliação e proibiu treze substâncias, entre elas carbendazim e paraquate, após análises sobre seus riscos.
Outros compostos receberam restrições específicas, como ocorreu com 2,4-D e acefato, ambos proibidos na União Europeia, enquanto o clorpirifós permanece sob avaliação regulatória.
A atualização constante das regras assume importância diante de novas evidências científicas, mudanças nos padrões de consumo e diferenças regulatórias entre grandes mercados internacionais.
Campanhas educativas, pesquisas independentes e debates públicos podem ampliar o acesso às informações sobre aplicação segura, proteção ambiental e alternativas menos prejudiciais.
A agricultura familiar, o manejo integrado de pragas e os sistemas produtivos sustentáveis também oferecem caminhos para reduzir a dependência desses produtos químicos.
A cooperação entre autoridades, universidades, produtores e organizações sociais será essencial para combinar produtividade agrícola, segurança alimentar e proteção duradoura da saúde coletiva.
*Com informações Agência Brasil
