O estudo revela que quase metade das áreas úmidas da Amazônia permanece fora de territórios oficialmente protegidos.
Essa condição amplia a vulnerabilidade desses ecossistemas, que passam a sofrer com diferentes formas de pressão associadas ao avanço de atividades humanas no bioma.
Entre os principais fatores de impacto, as hidrelétricas se destacam pela extensão das áreas afetadas. As barragens alteram o fluxo natural dos rios e comprometem os ciclos de inundação, essenciais para a reprodução de espécies aquáticas e para a manutenção da dinâmica ecológica das áreas úmidas.
Na sequência, o desmatamento aparece como outra ameaça relevante, especialmente porque esses ambientes concentram grandes estoques de carbono e, quando degradados, intensificam a emissão de gases de efeito estufa.
Além disso, o estudo aponta efeitos negativos associados à expansão de pequenos reservatórios artificiais e ao avanço do garimpo, que tem provocado a contaminação de cursos d’água por mercúrio, afetando a fauna, a pesca e a saúde das populações locais.
Completam esse cenário a mineração industrial e a exploração madeireira, que agravam a fragmentação e a perda de funções ecológicas desses ecossistemas.
Diante desse quadro, os pesquisadores defendem a ampliação da proteção legal das áreas úmidas, o fortalecimento de instrumentos como os Sítios Ramsar, a implementação de planos de manejo específicos e a participação ativa de povos indígenas, comunidades tradicionais e populações locais nas estratégias de conservação.
A preservação desses ambientes é considerada fundamental para reduzir a vulnerabilidade da Amazônia às mudanças climáticas e evitar a aproximação de pontos críticos de degradação ambiental.