O aquecimento global poderá atingir aproximadamente 1,8 °C mesmo no cenário mais favorável avaliado pelo relatório das Nações Unidas.
Um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) conclui que o planeta deverá ultrapassar a marca de 1,5 °C nos próximos anos. A avaliação modifica o debate climático internacional, que passa a considerar tanto a redução imediata das emissões quanto a preparação para impactos mais severos.
Relatório revê cenário para a meta de 1,5 °C
A política climática internacional recebeu um diagnóstico mais severo, pois o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente considera inevitável superar 1,5 °C nos próximos anos.
Esse patamar representa o limite de aquecimento definido pelo Acordo de Paris em relação às temperaturas registradas antes do avanço da industrialização global.
Mesmo na projeção mais favorável apresentada pelo estudo, a temperatura média do planeta poderá atingir aproximadamente 1,8 °C antes de uma possível redução posterior.
A nova avaliação modifica o centro do debate, porque os países precisam limitar tanto a intensidade do excesso quanto o período de permanência acima da meta climática.
Menos de um ano antes, representantes das Nações Unidas ainda defendiam que o objetivo de 1,5 °C poderia permanecer viável por meio de maior cooperação internacional.
Aquecimento adicional eleva risco de danos severos
A ultrapassagem desse limite pode intensificar ondas de calor, enchentes, elevação do nível dos oceanos e outros eventos capazes de atingir milhões de pessoas.
Recifes de coral, geleiras e áreas de solo permanentemente congelado aparecem entre os sistemas naturais mais vulneráveis às mudanças causadas por temperaturas mais elevadas.
O relatório surge após uma temporada marcada por calor recorde na Europa, incêndios florestais de grande proporção na América do Norte e uma enchente destrutiva registrada entre Nepal e Tibete.
A previsão de um El Niño intenso, com pico esperado para dezembro, aumenta a possibilidade de 2027 estabelecer uma nova máxima anual de temperatura global.
Esse conjunto de ameaças exige investimentos em saúde pública, infraestrutura, proteção costeira, produção agrícola e sistemas de resposta destinados às regiões mais expostas.
Redução das emissões continua decisiva
Apesar da perspectiva de ultrapassagem, o estudo afirma que cortes rápidos nos gases de efeito estufa podem reduzir o pico térmico e antecipar o retorno abaixo da referência estabelecida.
Uma diferença pequena na temperatura máxima pode evitar mortes, preservar ecossistemas e diminuir prejuízos econômicos associados a eventos climáticos mais frequentes e destrutivos.
A resposta necessária envolve ações simultâneas para reduzir emissões e preparar cidades, empresas e serviços públicos para condições ambientais mais difíceis nas próximas décadas.
Esse esforço enfrenta resistência política em várias economias, especialmente após retrocessos em normas ambientais e redução de projetos ligados à transição energética.
Nos Estados Unidos, a saída oficial do Acordo de Paris em janeiro enfraqueceu a cooperação internacional justamente no momento de maior pressão por medidas climáticas adicionais.
A meta de 1,5 °C continuará como referência central, pois permitirá medir a dimensão do excesso e avaliar a eficácia das decisões adotadas pelos países.
