Bactérias intestinais influenciam comportamento social pelo olfato

Pesquisadores descobriram que as bactérias intestinais produzem odores que afetam comportamentos sociais em camundongos, utilizando o receptor TAAR5. A trimetilamina (TMA) influencia hierarquias sociais e pode oferecer novas perspectivas sobre o comportamento humano e de outras espécies.

Bactérias intestinais produzem odores que influenciam o comportamento social em camundongos, revelando uma nova interação entre microbioma e olfato. Essa descoberta da Universidade Northwestern, publicada na Current Biology, destaca como os micróbios moldam hierarquias sociais e comportamentos agressivos.

Interação entre microbioma e olfato

Pesquisadores da Universidade Northwestern descobriram uma intrigante interação entre o microbioma intestinal e o olfato em camundongos.

Utilizando experimentos genéticos e comportamentais, eles revelaram que bactérias intestinais produzem odores que, quando detectados por outros animais, desencadeiam comportamentos sociais específicos, como agressão e submissão.

Esses odores são gerados por micróbios que metabolizam alimentos ricos em colina, produzindo trimetilamina (TMA), uma molécula com cheiro característico de peixe podre.

Em camundongos machos adultos, a testosterona suprime a enzima hepática que normalmente neutraliza a TMA, permitindo sua acumulação na urina.

A pesquisa focou nos receptores associados a aminas traço (TAARs), especialmente o TAAR5, que é altamente sensível à TMA.

A ativação desses receptores no bulbo olfativo altera o comportamento dos camundongos, estabelecendo hierarquias sociais com base no odor detectado.

Essa descoberta amplia o entendimento sobre como o microbioma pode influenciar comportamentos através de sinais olfativos.

Implicações além dos camundongos

As descobertas sobre a influência da trimetilamina (TMA) e do receptor TAAR5 em camundongos abrem novas perspectivas para entender a relação entre microbioma e comportamento em outras espécies, incluindo humanos.

Embora o papel exato da TMA no comportamento humano ainda não seja claro, a presença do receptor TAAR5 no sistema olfativo humano sugere uma possível função evolutiva preservada.

Thomas Bozza, líder do estudo, destaca que, apesar de os humanos provavelmente não usarem a TMA como um sinal de agressão, a retenção do receptor TAAR5 indica que ele pode ter outras funções importantes.

Isso sugere que o olfato humano pode estar mais intimamente ligado ao microbioma do que se pensava anteriormente, influenciando potencialmente interações sociais e comportamentais.

Além disso, a pesquisa pode inspirar novos estudos sobre como odores microbianos afetam percepções e respostas sociais em diferentes espécies.

Essa linha de investigação pode levar a avanços na compreensão de distúrbios comportamentais e no desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas baseadas em interações microbioma-olfato.

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