Relatório revela desigualdade na transição energética global

O relatório da Oxfam Brasil destaca a desigualdade na transição energética, evidenciando a concentração de investimentos no Norte Global, os impactos negativos nas comunidades tradicionais e apresentando recomendações para promover a justiça energética em nível global.

O relatório da Oxfam Brasil expõe a desigualdade na transição energética global, destacando a concentração de investimentos no Norte Global e a ameaça às comunidades tradicionais.

Concentração de investimentos no Norte Global

A mais recente análise divulgada pela Oxfam Brasil chama atenção para a desigualdade na distribuição de investimentos em energia renovável ao redor do mundo.

Países desenvolvidos concentram a maior parte dos recursos destinados à transição energética, deixando regiões em desenvolvimento com participação mínima nesse processo.

De acordo com o relatório, os Estados Unidos e países europeus respondem juntos por 46% dos investimentos globais no setor, enquanto a China aparece em seguida com 29%.

Em contraste, a América Latina recebeu apenas 3% dos aportes em 2024, e regiões como Sudeste Asiático, Oriente Médio e África ficaram com cerca de 2% cada, apesar de abrigarem grande potencial energético renovável.

Essa concentração de investimentos aprofunda desigualdades econômicas e ameaça a viabilidade de uma transição energética equilibrada.

A falta de recursos direcionados ao Sul Global pode comprometer o desenvolvimento sustentável de países que dependem desses investimentos para expandir infraestrutura e garantir acesso a energia limpa.

Além da disparidade financeira, o relatório alerta para os impactos da corrida por minerais essenciais em territórios ocupados por comunidades tradicionais.

Áreas indígenas e territórios locais, que abrangem cerca de 22,7 milhões de km², têm enfrentado crescente pressão de atividades de mineração necessárias para tecnologias renováveis.

Essas operações, muitas vezes realizadas sem consulta adequada, colocam em risco ecossistemas frágeis e modos de vida ancestrais.

A Oxfam defende que a transição energética global deve seguir o princípio das responsabilidades compartilhadas, porém diferenciadas, assegurando que comunidades locais participem das decisões sobre seus territórios e não sejam deixadas à margem do processo.

Para a organização, proteger essas áreas e distribuir investimentos de forma mais equitativa é essencial para garantir que a transição para uma economia de baixo carbono seja justa e inclusiva em escala global.

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