Desmatamento do Cerrado transforma bioma em fronteira agrícola

O Cerrado enfrenta desafios significativos, como desmatamento, expansão agrícola e escassez de recursos hídricos. Apesar do crescimento da energia fotovoltaica, a perda de vegetação e água natural é alarmante, necessitando de políticas de conservação para garantir um desenvolvimento sustentável.

O desmatamento do Cerrado, segundo maior bioma brasileiro, resultou na perda de 40,5 milhões de hectares de vegetação nativa entre 1985 e 2024, transformando a região em uma nova fronteira agrícola, especialmente no Matopiba, segundo dados do MapBiomas.

Perda de vegetação nativa no Cerrado

O Cerrado, um dos biomas mais importantes do Brasil, vem sofrendo uma perda acelerada de vegetação nativa nas últimas quatro décadas.

Entre 1985 e 2024, foram desmatados 40,5 milhões de hectares, o equivalente a 28% da cobertura original, ou 1,4 vezes a área do estado da Bahia.

A região do Matopiba, que abrange partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, concentra 30% do bioma e foi responsável por 39% da perda líquida de vegetação no período, somando 15,7 milhões de hectares desmatados e consolidando-se como uma das principais fronteiras agrícolas do país.

Nos últimos dez anos, o Cerrado perdeu 6,4 milhões de hectares de vegetação nativa, sendo 73% dessa área localizada no Matopiba. A Formação Savânica foi o tipo mais afetado, com uma redução de 26,1 milhões de hectares, ou 32% de sua área original.

Apesar do impacto, ela ainda representa 28,4% da vegetação natural remanescente do bioma. Esses números reforçam a necessidade urgente de políticas públicas de conservação para conter o avanço do desmatamento e preservar o ecossistema.

O avanço da agricultura e da pecuária está no centro dessa transformação. De 1985 a 2024, as atividades agropecuárias cresceram 74%, com a área de pastagens expandindo 14,7 milhões de hectares, um aumento de 44%.

A agricultura, porém, foi o segmento que mais cresceu, com uma expansão de 533% na área cultivada, atingindo 22,1 milhões de hectares.

Essa intensa expansão produtiva transformou o Cerrado em um dos principais polos agrícolas do país, ao mesmo tempo em que impôs forte pressão sobre seus ecossistemas naturais.

Energia fotovoltaica e uso da terra

A energia fotovoltaica tem se destacado como uma alternativa sustentável no Cerrado, ocupando 32% das áreas mapeadas de usinas no Brasil em 2024. Desde 2016, a área destinada a essas usinas cresceu 1.273%, passando de 800 hectares para 11,3 mil hectares.

Grande parte das usinas fotovoltaicas foi instalada em áreas anteriormente cobertas por vegetação nativa e pastagens.

Mais de um terço das áreas utilizadas para usinas eram formações savânicas, enquanto outro terço eram pastagens. Entre 2016 e 2024, 4,4 mil hectares de vegetação nativa foram convertidos para esse uso.

Essa expansão reflete o potencial do Cerrado para a geração de energia solar, mas também levanta preocupações sobre a conversão de terras e a perda de vegetação nativa.

O desafio é equilibrar o desenvolvimento energético com a conservação ambiental, garantindo que a implantação de usinas fotovoltaicas não comprometa a biodiversidade do bioma.

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