A economia circular no Brasil enfrenta desafios regulatórios e culturais, mas apresenta vantagens em termos de redução de custos e inovação, com variações significativas entre os diferentes setores industriais.
Seis em cada dez indústrias brasileiras adotam práticas de economia circular, segundo sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A pesquisa aponta benefícios como redução de custos, fortalecimento da imagem corporativa e estímulo à inovação.
Nível de circularidade varia entre setores industriais
A pesquisa da CNI revelou que a adoção de práticas de economia circular varia significativamente entre os setores industriais.
No setor de calçados, 86% das empresas já implementam medidas circulares, destacando-se como um dos mais avançados nesse aspecto.
Outros setores com alta adesão incluem biocombustíveis (82%), equipamentos eletrônicos e veículos (ambos com 81%), além de coque e derivados de petróleo (80%).
Esses setores demonstram um compromisso robusto com a circularidade, refletindo em estratégias que priorizam a sustentabilidade.
Por outro lado, o setor farmacêutico apresenta um índice consideravelmente mais baixo, com apenas 33% das empresas adotando práticas circulares.
A construção civil também enfrenta desafios, com taxas de adoção entre 39% e 42%, enquanto o setor de impressão registra 40%.
Essas variações indicam a necessidade de políticas personalizadas que considerem a complexidade e as especificidades de cada setor, visando ampliar a implementação da economia circular de forma eficaz e integrada.
Custos, reputação e inovação são vantagens mais citadas
A economia circular é vista como uma estratégia vantajosa por muitas indústrias brasileiras, principalmente devido à redução de custos operacionais.
Cerca de 35% das empresas entrevistadas apontaram essa redução como o principal benefício, destacando a diminuição de gastos com insumos e energia.
Além disso, a melhoria da imagem corporativa é uma vantagem significativa, mencionada por 32% das empresas. A adoção de práticas sustentáveis não só fortalece a reputação das empresas, mas também atrai consumidores que valorizam a responsabilidade ambiental.
O estímulo à inovação é outro benefício relevante, citado por 30% dos entrevistados. A economia circular incentiva a criação de novos produtos e processos, promovendo a competitividade no mercado e a adaptação a novas demandas.
Estudos de consultorias renomadas, como McKinsey e Accenture, reforçam esses benefícios. A McKinsey estima uma redução de até 20% nos custos de produção, enquanto a Accenture projeta que modelos circulares podem movimentar até US$ 4,5 trilhões até 2030.
Cultura, financiamento e inovação são os principais desafios mapeados
A sondagem da CNI identificou desafios significativos que as indústrias enfrentam na adoção da economia circular.
Entre os aspectos culturais, 43% das empresas relataram dificuldades em identificar barreiras à circularidade, evidenciando a necessidade de maior conscientização e educação sobre o tema.
Do ponto de vista econômico, a taxa de juros de financiamento é um obstáculo relevante, citado por 22% das empresas.
A limitação da oferta de soluções circulares economicamente viáveis (20%) e a percepção de baixa demanda por produtos e serviços circulares (19%) também são desafios importantes.
Na área tecnológica, 30% das empresas destacam a viabilidade econômica das tecnologias como um desafio crucial.
A falta de mão de obra qualificada, mencionada por 26%, e a baixa colaboração entre empresas e instituições de ciência e tecnologia (23%) são barreiras adicionais que precisam ser superadas.
A pesquisa revelou ainda diferenças entre empresas de diferentes portes. Enquanto pequenas empresas enfrentam mais dificuldades com a falta de mão de obra, as grandes empresas se deparam com desafios relacionados a investimento e inovação.
Demanda por regulamentações mais simples e articuladas
A complexidade das regulamentações vigentes é um fator que influencia a adoção de práticas de economia circular.
Segundo a pesquisa, 45% das empresas consideram que as normas tributárias atuais dificultam a implementação dessas práticas, enquanto 40% apontam as regulamentações econômicas como um entrave.
Para superar essas barreiras, 53% das empresas sugerem a simplificação das normas como medida prioritária.
A convergência entre regulamentações federais, estaduais e municipais é uma demanda de 31% dos respondentes, indicando a necessidade de uma abordagem mais harmonizada.
Além disso, 23% das empresas defendem o alinhamento entre diferentes tipos de regulação, como as ambientais, sanitárias e tributárias, para facilitar a transição para uma economia circular.
Essa articulação é vista como essencial para criar um ambiente regulatório que promova a inovação e a sustentabilidade.
A simplificação e harmonização das regulamentações podem acelerar a adoção de práticas circulares, permitindo que as empresas se concentrem mais em inovação e menos em burocracia, promovendo um desenvolvimento sustentável mais eficaz.
Fonte: Portal da Indústria
