Emissões do Brasil têm a maior queda em 15 anos

O Brasil enfrenta desafios significativos para cumprir suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC), incluindo a necessidade de controlar o desmatamento, promover a transição energética, adotar práticas agropecuárias sustentáveis e fortalecer a governança climática.

As emissões do Brasil caíram 16,7% em 2024, atingindo 2,145 bilhões de toneladas de CO2 equivalente. Essa é a maior redução desde 2009, segundo o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG) do Observatório do Clima. A queda se deve principalmente ao controle do desmatamento.

Impacto do controle do desmatamento

A redução significativa nas emissões do Brasil em 2024 está diretamente ligada ao controle do desmatamento.

Após anos de aumento, as políticas de fiscalização e proteção ambiental foram reforçadas, resultando em uma queda de 32,5% nas emissões por mudança de uso da terra. Esse setor, que inclui principalmente o desmatamento, viu suas emissões caírem de 1,341 GtCO2e para 906 GtCO2e.

O impacto mais notável foi observado na Amazônia e no Cerrado, onde as ações do Ibama tiveram um papel crucial.

A Amazônia, que historicamente é a região mais afetada, registrou uma redução de 33% nas emissões, enquanto o Cerrado apresentou uma queda ainda mais acentuada de 41%.

Essas reduções são fundamentais para o Brasil, que é um dos maiores emissores de gases de efeito estufa devido ao desmatamento.

Além disso, a queda no desmatamento contribuiu para que o Brasil se aproximasse das médias mundiais de emissões per capita.

Em 2024, cada brasileiro emitiu 10,5 toneladas brutas de CO2 equivalente, uma redução significativa que aproxima o país da média global de 6,4 toneladas.

Esses resultados destacam a importância de políticas públicas eficazes para a preservação ambiental e mostram que, com o esforço conjunto do governo e da sociedade, é possível alcançar metas significativas na redução de emissões e na proteção dos biomas brasileiros.

Queda nas emissões líquidas

A queda nas emissões líquidas do Brasil em 2024 foi notável, com uma redução de 22% em comparação a 2023. Essa diminuição reflete o impacto positivo das políticas de controle ambiental e do aumento da regeneração de florestas secundárias e áreas protegidas.

As emissões líquidas, que consideram as remoções de carbono pelas florestas, caíram de 1,920 GtCO2e para 1,489 GtCO2e. Essa redução é a segunda maior já registrada, perdendo apenas para 2009, quando houve uma queda de 24%.

O setor de mudança de uso da terra, tradicionalmente o maior responsável pelas emissões líquidas, viu sua participação cair de 35% para 17% do total. A agropecuária, por sua vez, tornou-se a principal fonte de emissões líquidas, com um aumento de 33% para 42%.

Esse cenário destaca a importância das florestas na redução das emissões líquidas e reforça a necessidade de políticas contínuas de preservação e recuperação ambiental.

A manutenção dessas práticas é crucial para que o Brasil alcance suas metas climáticas e contribua para a mitigação das mudanças climáticas globais.

Comparação internacional das emissões

Na comparação internacional das emissões, o Brasil se destaca como um dos maiores emissores de gases de efeito estufa, principalmente devido ao desmatamento.

Em 2024, o país emitiu mais carbono bruto por desmatamento do que nações como Arábia Saudita e Canadá, que são grandes produtores de petróleo.

O Brasil ocupa a quinta posição global em emissões de gases de efeito estufa, caindo para a sexta quando a União Europeia é considerada como um bloco.

Essa posição é atribuída principalmente às emissões resultantes da mudança de uso da terra, que ainda representam uma parte significativa das emissões totais do país.

Em termos de emissões per capita, o Brasil emitiu 10,5 toneladas brutas de CO2 equivalente por pessoa em 2024, o que é superior à média mundial de 6,4 toneladas.

No entanto, quando excluímos as mudanças de uso da terra, as emissões per capita brasileiras caem para 6 toneladas, alinhando-se à média global.

Esses dados ressaltam a necessidade de políticas eficazes de controle do desmatamento e de transição para fontes de energia mais limpas, a fim de reduzir a pegada de carbono do Brasil e melhorar sua posição no cenário internacional de combate às mudanças climáticas.

Aumento nas emissões de resíduos

O aumento nas emissões de resíduos em 2024 no Brasil foi de 3,6%, totalizando 111 MtCO2e. Esse crescimento foi impulsionado por melhorias na coleta de resíduos sólidos e ajustes nos dados populacionais, que refletiram um aumento na geração de resíduos per capita.

O setor de resíduos responde por cerca de 5% das emissões totais do país. A disposição inadequada de resíduos em aterros sanitários e lixões continua a ser uma fonte significativa de metano, um potente gás de efeito estufa.

Em 2024, as emissões de metano provenientes de resíduos sólidos urbanos aumentaram devido ao maior volume de resíduos depositados sem tratamento adequado.

Além disso, as emissões de resíduos líquidos, provenientes principalmente de águas residuais domésticas e industriais, também contribuíram para o aumento geral. O tratamento inadequado dessas águas resulta na liberação de metano e óxido nitroso, que são gases de efeito estufa.

Para mitigar esse aumento, é essencial investir em infraestrutura de tratamento de resíduos e promover práticas de reciclagem e compostagem. Tais medidas podem reduzir significativamente as emissões do setor e contribuir para as metas climáticas do Brasil.

Energia e biocombustíveis

O setor de energia e biocombustíveis no Brasil teve um aumento de 0,8% nas emissões em 2024, atingindo 438 MtCO2e.

Apesar do crescimento, o uso de biocombustíveis, como etanol e biodiesel, continua a desempenhar um papel crucial na mitigação das emissões de gases de efeito estufa.

O etanol, derivado principalmente da cana-de-açúcar, substitui uma parte significativa da gasolina consumida no país, contribuindo para a redução das emissões de CO2. Em 2024, o consumo de etanol aumentou 5%, reforçando sua importância na matriz energética nacional.

O biodiesel, produzido a partir de óleos vegetais e gorduras animais, também teve um papel relevante, com um aumento de 4% em sua produção.

A mistura obrigatória de biodiesel no diesel fóssil foi elevada para 15%, ampliando a contribuição do biocombustível para a redução das emissões.

Ainda assim, o setor energético enfrenta desafios, como a dependência de fontes fósseis e a necessidade de expandir a infraestrutura para energias renováveis.

Investimentos em tecnologia e inovação são essenciais para aumentar a eficiência energética e reduzir a pegada de carbono do Brasil.

Desafios para cumprir a NDC

Os desafios para cumprir a NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada) do Brasil são significativos, dado o contexto atual das emissões de gases de efeito estufa.

A NDC do Brasil estabelece metas ambiciosas de redução de emissões, exigindo ações coordenadas em vários setores da economia.

Um dos principais desafios é o controle do desmatamento, que ainda representa uma parcela considerável das emissões do país.

Apesar de algumas reduções, o desmatamento na Amazônia e em outros biomas continua a ser uma preocupação crítica. Medidas mais rígidas de fiscalização e políticas de incentivo à conservação são essenciais.

Outro desafio é a transição para uma matriz energética mais limpa. Embora o Brasil tenha uma forte base de energias renováveis, como hidrelétrica e biocombustíveis, ainda há uma dependência significativa de combustíveis fósseis.

Além disso, o setor agropecuário, responsável por uma grande parte das emissões, precisa adotar práticas mais sustentáveis, como a integração lavoura-pecuária-floresta e a redução do uso de fertilizantes nitrogenados.

Para atingir as metas da NDC, o Brasil deve também fortalecer a governança climática, promovendo a participação de diversos setores da sociedade e garantindo o cumprimento das políticas públicas ambientais.

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