A esteira com IA representa um avanço tecnológico significativo ao integrar inteligência artificial e análise de dados biométricos para monitorar alterações sutis no comportamento motor e cognitivo dos pacientes.
Uma esteira com inteligência artificial desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Caen está abrindo novos caminhos na detecção precoce de doenças neurodegenerativas. Ao combinar análise de dados, sensores de movimento e realidade virtual, a tecnologia permite identificar sinais iniciais de Alzheimer e Parkinson com maior precisão, ampliando as possibilidades de intervenção antes do avanço dos sintomas.
Desenvolvimento e funcionamento da esteira
A esteira desenvolvida pela equipe da neurocientista Leslie Decker na Universidade de Caen representa um avanço significativo na detecção precoce de doenças neurodegenerativas, mostrou uma matéria da RFI.
Combinando inteligência artificial e realidade virtual, o dispositivo é projetado para identificar sinais iniciais de Alzheimer e Parkinson.
Instalada em uma sala de 15 metros de comprimento por nove de largura, a esteira se adapta ao ritmo do paciente, utilizando duas plataformas de força para medir a força de reação do solo.
Essa tecnologia permite a avaliação precisa do sistema locomotor e a detecção de biomarcadores associados a distúrbios cognitivos.
Para isso, os participantes são monitorados enquanto caminham e respondem a perguntas que exigem atenção e memória.
O sistema registra dados sobre equilíbrio dinâmico e adapta sua inclinação para desafiar mais os recursos cognitivos dos pacientes, conectando-se a um ambiente virtual para uma análise abrangente.
A esteira com inteligência artificial já foi testada em cerca de cem pacientes, com idades entre 55 e 87 anos, e 20 apresentaram a síndrome do risco cognitivo motor, caracterizada por lentidão na marcha e queixas cognitivas subjetivas.
Potencial de prevenção e tratamento personalizado
A aplicação da esteira com inteligência artificial abre novas possibilidades para a prevenção e o desenvolvimento de tratamentos personalizados, especialmente no campo das doenças neurodegenerativas.
Ao identificar alterações sutis no desempenho físico e motor, a tecnologia permite antecipar riscos e orientar intervenções antes do agravamento do quadro clínico.
Com base nos dados coletados, é possível cruzar informações de mobilidade com testes neurocognitivos e indicadores comportamentais, o que contribui para uma análise mais completa do paciente.
Esse conjunto de informações viabiliza a criação de estratégias individualizadas, adaptadas às condições e necessidades específicas de cada pessoa.
A startup responsável pelo desenvolvimento, a a-gO, pretende implementar a tecnologia em ambientes clínicos na França, com o objetivo de incorporar o monitoramento contínuo à rotina médica. A proposta é acompanhar a evolução dos riscos ao longo do tempo e apoiar decisões terapêuticas mais precisas.
Os desenvolvedores estimam que o uso regular da ferramenta pode ajudar a prevenir uma parcela significativa de doenças relacionadas ao envelhecimento, ao permitir ações antecipadas baseadas em dados.
A iniciativa se insere em um cenário mais amplo de inovação em saúde, no qual diferentes equipamentos com inteligência artificial, como estetoscópios e tomógrafos, vêm sendo desenvolvidos para aprimorar a detecção precoce de doenças e ampliar a personalização dos tratamentos.
