A exposição a PFAS, compostos químicos persistentes, está associada a alterações na atividade genética, o que pode levar ao desenvolvimento de doenças como câncer, distúrbios neurológicos, doenças autoimunes e infecciosas, segundo estudos recentes.
A exposição a Pfas, conhecidos como “produtos químicos eternos”, altera a atividade genética, associando-se a doenças como câncer e distúrbios neurológicos, segundo nova pesquisa da Faculdade de Saúde Pública da Universidade do Arizona. Esses compostos são amplamente utilizados para tornar produtos resistentes à água, manchas e gordura.
Impacto dos Pfas na saúde humana
Conhecidas como “substâncias químicas eternas”, as PFAS (substâncias per e polifluoroalquil) estão presentes em uma ampla variedade de produtos do cotidiano, como embalagens de alimentos, panelas antiaderentes, tecidos impermeáveis e espumas contra incêndio.
Sua resistência à degradação química e biológica faz com que permaneçam no meio ambiente por décadas, acumulando-se no solo, na água e até mesmo no corpo humano.
Pesquisadores e autoridades de saúde têm alertado para os riscos que essas substâncias representam à saúde.
Estudos apontam que a exposição prolongada aos PFAS pode estar associada a uma série de problemas, incluindo distúrbios hormonais, enfraquecimento do sistema imunológico e maior risco de alguns tipos de câncer, como o de rim e o de testículo.
O impacto na saúde pública preocupa porque os PFAS já foram detectados em sistemas de abastecimento de água em diferentes países, inclusive no Brasil.
Como a eliminação dessas substâncias pelo organismo é lenta, a exposição contínua pode levar a uma acumulação preocupante ao longo dos anos.
A discussão sobre os PFAS ganhou força nos últimos anos e se tornou pauta de governos, indústrias e comunidades científicas.
Enquanto especialistas defendem medidas mais rigorosas de monitoramento e substituição por alternativas seguras, empresas enfrentam pressão para reduzir o uso desses compostos em seus processos produtivos.
O debate reforça a urgência de equilibrar inovação industrial e proteção da saúde humana diante de um desafio químico que, até agora, parece não ter prazo de validade.
Genes afetados e doenças associadas aos Pfas
A pesquisa revelou que os Pfas impactam a expressão de diversos genes, o que pode estar ligado ao desenvolvimento de várias doenças.
Os genes afetados desempenham papéis cruciais na regulação de processos biológicos e podem influenciar a predisposição a doenças.
Entre os genes identificados, alguns estão associados ao desenvolvimento de cânceres como os de bexiga, fígado, tireoide e mama.
Além disso, alterações genéticas relacionadas a doenças neurológicas, como Alzheimer, foram observadas.
Doenças autoimunes e infecciosas, como lúpus, asma e tuberculose, também mostraram conexões com as mudanças genéticas induzidas pelos Pfas.
Essas descobertas são significativas, pois apontam para possíveis tratamentos que poderiam alterar a atividade gênica e prevenir o desenvolvimento de doenças ligadas aos Pfas.
Embora ainda não esteja claro em que etapa dos processos biológicos as doenças são desencadeadas, os resultados fornecem pistas valiosas para o desenvolvimento de terapias que possam mitigar os efeitos adversos dos Pfas na saúde humana.
