O Brasil ganhou protagonismo no cenário internacional após o financiamento climático crescer 84% em dois anos, com destaque para investimentos em energia e florestas.
O financiamento climático no Brasil cresceu 84% entre 2020 e 2022, atingindo R$ 26,6 bilhões anuais, impulsionando debates sobre descarbonização e competitividade industrial. Os dados foram apresentados pela Climate Policy Initiative (CPI) no evento Finanças Sustentáveis: Impulsionando o Futuro do Setor Produtivo da CNI.
Brasil em posição de protagonismo
O financiamento climático no Brasil registrou um crescimento expressivo de 84% entre 2020 e 2022, resultado que coloca o país em posição de destaque no cenário internacional.
O avanço está diretamente ligado à forte base renovável da economia nacional e ao aumento de investimentos em alternativas sustentáveis, como eletricidade limpa e biomassa.
Estudo da Climate Policy Initiative mostra que 80% desses recursos têm como foco ações de mitigação, enquanto os 20% restantes são direcionados à adaptação. Setores como agropecuária, florestas, uso da terra e pesca aparecem entre os principais beneficiados.
Nos últimos anos, investimentos em energia renovável ganharam relevância. Apenas em 2024, foram destinados R$ 20 bilhões a projetos de etanol de milho, com previsão de mais R$ 40 bilhões nos próximos anos.
Outros aportes incluíram R$ 9 bilhões em biodiesel e mais de R$ 1 bilhão em biometano e etanol de segunda geração. Paralelamente, projetos de restauração florestal também vêm atraindo recursos de empresas que buscam ampliar suas iniciativas de sustentabilidade.
O financiamento climático brasileiro tem origem em múltiplas fontes nacionais e internacionais. Entre os provedores públicos destacam-se o BNDES, o Banco do Nordeste e linhas de crédito como FINEM, Fundo Clima e Eco Invest Brasil.
No cenário global, instituições como o Green Climate Fund e o Fundo de Adaptação desempenham papel fundamental.
No setor privado, investidores institucionais, bancos comerciais e fundos de capital de risco fortalecem os aportes por meio de instrumentos como green bonds, sustainability-linked bonds (SLBs) e a CPR Verde.
O mercado de carbono surge como complemento essencial nesse processo, inspirado por modelos internacionais, como o comércio europeu de créditos, que arrecadou € 43,6 bilhões apenas em 2023.
Com esse crescimento, o Brasil reforça sua posição como um dos países que mais avançam em estratégias de financiamento climático, mas especialistas alertam que ainda é necessário ampliar os recursos para garantir o ritmo de descarbonização e assegurar o cumprimento das metas globais.
