Bancos mundiais aumentaram financiamento para combustíveis fósseis em 2025

Relatório aponta alta no financiamento para combustíveis fósseis em 2025, com JPMorgan Chase liderando os aportes ao setor.

O financiamento bancário para carvão, petróleo e gás voltou a crescer em 2025, segundo o relatório anual Banking on Climate Chaos (BOCC). O levantamento aponta que 65 grandes bancos direcionaram US$ 906 bilhões ao setor, valor quase 8% superior ao registrado no ano anterior e incompatível com os esforços para limitar o aquecimento global.

Financiamento a combustíveis fósseis cresce em 2025

O financiamento global destinado à indústria de combustíveis fósseis voltou a avançar em 2025, mesmo em meio à pressão internacional por redução de emissões e aceleração da transição energética.

Segundo relatório elaborado por uma coalizão de organizações ambientais, os 65 maiores bancos do mundo comprometeram US$ 906 bilhões para empresas ligadas a carvão, petróleo e gás, valor quase 8% superior ao registrado no ano anterior.

O aumento representa um acréscimo de US$ 64 bilhões em relação a 2024 e reforça a distância entre os compromissos climáticos anunciados por instituições financeiras e a prática de financiamento adotada pelo setor.

Para os autores do levantamento, o volume direcionado a atividades fósseis mostra que parte relevante do sistema bancário ainda sustenta projetos incompatíveis com a meta de limitar o aquecimento global a 1,5 °C.

A continuidade desses aportes ocorre em um cenário marcado por demanda energética elevada, disputas geopolíticas e pressão por fontes consideradas mais baratas e disponíveis no curto prazo.

Apesar desses fatores, ambientalistas avaliam que a manutenção do crédito a setores intensivos em carbono enfraquece planos voluntários de descarbonização e retarda investimentos em alternativas de menor impacto ambiental.

Bancos ampliam presença no financiamento fóssil

O relatório aponta que o JPMorgan Chase foi o banco que mais direcionou recursos à indústria de combustíveis fósseis em 2025, com US$ 58 bilhões em operações ligadas ao setor.

O valor representa alta de 13% em relação ao ano anterior e mostra que grandes instituições financeiras continuam exercendo papel decisivo na sustentação de negócios baseados em carvão, petróleo e gás.

Além do JPMorgan, bancos como Bank of America, MUFG, Mizuho Financial e Citigroup também aparecem entre os principais financiadores globais da indústria fóssil.

A presença dessas instituições no topo do levantamento evidencia como o crédito bancário ainda segue fortemente conectado a atividades que elevam emissões e dificultam o avanço de uma transição energética mais acelerada.

Aportes desafiam metas climáticas globais

O avanço do financiamento a combustíveis fósseis cria um obstáculo adicional ao cumprimento do Acordo de Paris, que estabeleceu a meta de limitar o aumento da temperatura média global.

Desde a assinatura do acordo, os maiores bancos do mundo já direcionaram US$ 8,7 trilhões para empresas e projetos ligados à exploração, produção e uso de fontes fósseis.

Esse fluxo de capital prolonga a dependência de carvão, petróleo e gás em um momento no qual cientistas alertam para a necessidade de cortes rápidos nas emissões.

Caso a expansão dessas atividades continue, eventos extremos como ondas de calor, secas, enchentes e perdas agrícolas tendem a se tornar mais frequentes e mais intensos em diferentes regiões do planeta.

O relatório também aponta que as ações voluntárias adotadas por bancos não têm sido suficientes para alinhar o crédito privado aos objetivos climáticos internacionais.

Diante desse quadro, organizações ambientais defendem regras mais rígidas, maior fiscalização sobre carteiras de financiamento e políticas públicas capazes de acelerar a migração de recursos para uma economia de baixo carbono.

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