Herbicida Diquat segue em uso apesar de evidências de toxicidade

O herbicida diquat é amplamente utilizado nos Estados Unidos, mas estudos recentes revelam sua toxicidade para órgãos e bactérias intestinais, evidenciando falhas nas regulamentações de segurança.

O diquat é amplamente utilizado nos Estados Unidos, mas pesquisas revelam sua toxicidade para órgãos e bactérias intestinais. Apesar dos riscos, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) não revisa o químico, destacando a fragilidade das regulamentações de pesticidas no país. No Brasil, o produto também é utilizado.

Impactos do diquat na saúde humana

O diquat é associado a diversos problemas de saúde. Estudos indicam que ele pode causar danos irreversíveis aos rins, destruindo membranas celulares e interferindo nos sinais celulares.

Além disso, o herbicida afeta o fígado, provocando a produção de proteínas inflamatórias que danificam o órgão.

Nos pulmões, o diquat desencadeia inflamações que comprometem os tecidos pulmonares, podendo levar à síndrome de disfunção de múltiplos órgãos. Essa condição grave ocorre quando os sistemas de órgãos começam a falhar simultaneamente.

Além dos danos diretos aos órgãos, o diquat impacta negativamente a flora intestinal. Ele reduz os níveis de proteínas essenciais para o revestimento intestinal, permitindo que toxinas e patógenos entrem na corrente sanguínea, desencadeando inflamações no intestino e em todo o corpo.

Esses efeitos são preocupantes, especialmente considerando que muitos estudos foram realizados em roedores e que é necessário mais pesquisa sobre a exposição crônica de baixo nível em humanos.

O impacto potencial do diquat na saúde humana destaca a necessidade de uma revisão regulatória mais rigorosa.

Regulamentação e uso do diquat nos EUA

Nos Estados Unidos, o uso do diquat como herbicida é prevalente, especialmente em vinhedos e pomares. Apesar de sua toxicidade comprovada, a Agência de Proteção Ambiental (EPA) não revisou sua regulamentação recentemente.

Enquanto países como o Reino Unido, a União Europeia e a China baniram o diquat devido aos riscos associados, o produto continua disponível nos EUA.

A resistência da EPA em revisar ou proibir o diquat reflete uma estrutura regulatória considerada ineficaz por muitos especialistas.

A agência enfrenta desafios significativos para banir ingredientes tóxicos, mesmo quando há vontade política, como evidenciado pela reversão judicial da proibição do clorpirifós em 2022.

O diquat é frequentemente ofuscado por outras substâncias controversas, como o glifosato e o paraquat, cujos debates regulatórios consomem grande parte dos esforços de ativistas e reguladores.

Essa situação ressalta a fragilidade das leis de pesticidas nos EUA, onde substâncias banidas em outras regiões ainda são amplamente utilizadas.

*Com informações The Guardian

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