Investir em um clima estável é importante para prevenir mortes e reduzir custos associados à inação climática. O GEO7 destaca a necessidade de mudanças profundas nos sistemas globais e a importância de decisões econômicas inclusivas para enfrentar esses desafios.
O novo Panorama Ambiental Global, publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, reforça que o enfrentamento da crise climática depende de mudanças estruturais e rápidas. O documento traz projeções econômicas e ambientais que mostram como a inação pode gerar perdas bilionárias e ampliar desigualdades.
Necessidade de mudanças profundas em sistemas globais
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente divulgou a sétima edição do Panorama Ambiental Global (GEO7), documento que aponta a necessidade de mudanças estruturais em diversos sistemas que sustentam a economia mundial.
O relatório afirma que setores como finanças, energia, produção de materiais, sistemas alimentares e políticas ambientais precisam passar por uma transformação profunda e coordenada para que os países possam enfrentar a crise climática e a degradação dos ecossistemas.
Os autores destacam que a agenda não se limita às pastas ambientais, exigindo atuação integrada de governos, empresas e sociedade.
O estudo também chama atenção para o impacto econômico da falta de ação. Segundo as estimativas apresentadas, seriam necessários cerca de US$ 8 trilhões por ano para que o mundo alcance a neutralidade de emissões até 2050 e avance na proteção da biodiversidade.
A ausência de medidas, porém, tende a gerar perdas maiores: projeções indicam que as mudanças climáticas podem reduzir o PIB global em até 4% no mesmo período, além de ampliar deslocamentos forçados e aumentar o número de mortes associadas a eventos extremos e poluição. Entre 2000 e 2020, desastres climáticos já impuseram custos médios anuais de US$ 143 bilhões.
A publicação propõe ainda uma revisão na forma como países avaliam progresso econômico. O GEO7 defende que o PIB deixe de ser o único parâmetro central e que novos indicadores incorporem fatores como saúde humana, qualidade ambiental e preservação do capital natural.
A recomendação é que essas métricas influenciem negociações internacionais e planejamentos estratégicos, estimulando modelos de desenvolvimento baseados em economia circular, baixo carbono e distribuição mais equilibrada de benefícios.
O objetivo é orientar políticas capazes de sustentar crescimento econômico ao mesmo tempo em que reduzem pressões ambientais.
