O Brasil se destaca como líder em investimentos em healthtechs na América Latina, especialmente em startups Early-Stage e no desenvolvimento de inteligência artificial, apesar dos desafios que ainda persistem no setor de saúde.
Os investimentos em healthtechs na América Latina cresceram 37,6% em 2024, totalizando US$ 253,7 milhões. O Brasil lidera o mercado, concentrando quase 65% das startups investidas, segundo o Relatório HealthTech Recap 2024.
Brasil concentra quase 65% das startups investidas
O Brasil solidifica sua posição de liderança no cenário de healthtechs na América Latina, concentrando 64,8% das startups investidas em 2024. Este domínio é evidenciado pelas maiores rodadas de investimento do ano, das quais quatro foram brasileiras.
Entre elas, destacam-se a Amigo, com uma rodada Série B de US$ 33 milhões, e a Mevo, que levantou US$ 24 milhões na mesma série.
Essa predominância reflete não apenas a maturidade do ecossistema brasileiro, mas também a capacidade das startups locais em desenvolver soluções inovadoras e escaláveis.
O ambiente favorável, impulsionado por avanços tecnológicos e parcerias público-privadas, tem sido crucial para atrair investidores que buscam empresas com potencial de crescimento e impacto significativo.
O CEO do Distrito, Gustavo Gierun, destaca que a confiança dos investidores nas startups brasileiras se deve à combinação de eficiência operacional e acessibilidade nos modelos de negócio, com a inteligência artificial desempenhando um papel central.
Essa confiança se traduz em um volume crescente de capital direcionado a empresas capazes de entregar resultados concretos.
Early-stage representa 50% do capital investido
Os investimentos em startups Early-Stage (Series A e B) representaram metade do volume total de capital investido entre 2014 e 2024, apesar de corresponderem a apenas 14% do número total de negócios fechados.
Essa tendência reflete a preferência dos investidores por startups com produtos já validados e maior potencial de escalabilidade, em vez de negócios ainda em estágio Seed ou Pré-Seed.
Para Guilherme Sakajiri, membro da Diretoria Executiva da ABSS, essa dinâmica evidencia as exigências crescentes para startups em estágio inicial, que precisam demonstrar modelos de negócios robustos e viáveis para atrair capital.
A transição do investimento Seed para Série A tem se mostrado desafiadora, mesmo para soluções inovadoras, ressaltando a importância de redes de apoio e conexões estratégicas para facilitar o crescimento dessas empresas.
O ticket médio para cada estágio de investimento na América Latina entre 2014 e 2024 mostra uma progressão clara conforme a maturidade das startups, com valores que vão de US$ 0,2 milhão para Anjo até US$ 49,6 milhões para Série C.
Essa evolução destaca a seletividade dos investidores, que buscam startups com capacidade comprovada de escalar e gerar retorno sobre o investimento.
Inteligência Artificial avança, mas desafios persistem
A inteligência artificial (IA) tem avançado significativamente no setor de healthtechs na América Latina, com 70 novas startups de IA mapeadas nos últimos cinco anos.
Este crescimento é impulsionado por avanços em deep learning, processamento de linguagem natural e computação em nuvem.
No entanto, a adoção de IA nas healthtechs, que aumentou de 14% para 20% nos últimos dois anos, ainda enfrenta desafios significativos.
Gustavo Araújo, CIO e cofundador do Distrito, destaca que a IA está transformando a saúde ao integrar dados clínicos em tempo real e melhorar a previsibilidade dos tratamentos.
Apesar disso, as soluções de IA estão atualmente mais focadas na gestão das instituições de saúde, devido à maturidade das tecnologias e aos riscos envolvidos para os consumidores finais.
No Brasil, a telemedicina, agora aliada à IA, tornou-se essencial para ampliar o acesso a cuidados em regiões remotas.
Guilherme Sakajiri observa que o atendimento à distância evoluiu para um modelo mais estruturado, oferecendo linhas completas de cuidado remoto.
As soluções para saúde mental, gestantes e condições como TEA são algumas das áreas mais promissoras, enquanto a eficiência operacional e a personalização, especialmente com o uso de IA generativa, são vistas como tendências de longo prazo.
Fonte: Saúde Business
