Brasil e Reino Unido estão liderando uma iniciativa na COP30 com o objetivo de reduzir as emissões de metano e HFCs, buscando mitigar o aquecimento global até 2030.
A discussão sobre superpoluentes, tema que por anos se manteve à margem das grandes negociações climáticas, emergiu como prioridade na COP30. Liderado por Brasil e Reino Unido, o novo acelerador internacional promete dar escala a ações que podem reduzir emissões já nesta década, invertendo a lógica de avanços lentos que marcam o debate climático.
Redução de emissões de metano e HFCs
O debate sobre superpoluentes ganhou novo impulso na COP30, em Belém, com o anúncio do Acelerador de Ação dos Países sobre Superpoluentes, iniciativa que procura acelerar políticas voltadas à redução de metano e HFCs em nações em desenvolvimento.
Diferentemente de programas tradicionais focados em CO₂, o acelerador concentra esforços em gases capazes de provocar aquecimento intenso em poucos anos, tornando-se peça estratégica para resultados climáticos rápidos.
A proposta nasce de uma articulação entre Brasil e Reino Unido, que pretendem criar uma rede internacional de apoio técnico e financeiro para que até 30 países consigam estruturar políticas permanentes contra esses poluentes.
Para iniciar o processo, foi destinado um fundo de US$ 25 milhões, distribuído entre sete nações que servirão como laboratório para metodologias e regulamentações. A previsão é que o montante atinja US$ 150 milhões na primeira etapa do programa.
Um dos pilares da iniciativa é a criação das chamadas Unidades Nacionais de Superpoluentes, órgãos internos de governo voltados exclusivamente ao tema.
Autoridades brasileiras enfatizaram que agir sobre superpoluentes é uma das maneiras mais eficientes de manter a meta de 1,5°C ao alcance.
Como esses gases têm vida curta, a redução de suas emissões gera impacto quase imediato, contribuindo para proteger regiões vulneráveis e aliviar pressões sobre sistemas de saúde e produção agrícola.
Para observadores presentes na COP30, o conjunto de anúncios indica que a conferência está deixando de ser apenas um espaço de negociações e começando a consolidar mecanismos práticos de implementação.
