Mortes por calor podem dobrar nas próximas décadas

O avanço das mortes por calor preocupa especialistas que apontam o crescimento das ondas extremas de temperatura como uma ameaça crescente à saúde pública. O fenômeno tende a afetar principalmente as populações mais vulneráveis e sem acesso à infraestrutura adequada.

As projeções sobre o avanço das temperaturas no país apontam para um cenário preocupante de saúde pública. Pesquisas indicam que as mortes associadas ao calor, que hoje representam menos de 1% do total, podem mais que dobrar nas próximas décadas se o ritmo atual de aquecimento for mantido. O levantamento, desenvolvido no âmbito de um projeto internacional sobre mudanças climáticas e saúde urbana na América Latina, alerta que o impacto das ondas de calor tende a ser mais severo nas grandes cidades.

Onda de calor expõe desigualdades e agrava vulnerabilidade

O aumento das temperaturas extremas tem ampliado os riscos para populações vulneráveis, especialmente idosos e moradores de áreas periféricas.

Nessas regiões, a combinação entre moradias precárias, falta de arborização e ausência de equipamentos como ar-condicionado intensifica os efeitos das ondas de calor.

A exposição prolongada ao calor pode provocar sérias complicações de saúde, como infartos, desidratação e agravamento de doenças crônicas, elevando o número de internações e mortes relacionadas a eventos climáticos extremos.

Levantamentos nacionais apontam que o avanço do envelhecimento populacional e a intensificação das mudanças climáticas tendem a aumentar os impactos dessas ocorrências no Brasil.

Diante desse cenário, especialistas reforçam a necessidade de políticas de adaptação que protejam grupos em situação de vulnerabilidade.

Entre as medidas prioritárias estão a criação de sistemas de alerta precoce, a ampliação de áreas verdes e o planejamento urbano com corredores de ventilação capazes de reduzir as ilhas de calor.

Também são essenciais ações educativas sobre os riscos das altas temperaturas e protocolos de saúde pública que priorizem o atendimento de idosos e pessoas com doenças preexistentes.

Além disso, a adaptação das cidades para torná-las mais acessíveis e resistentes ao calor é apontada como um passo fundamental para preservar vidas e fortalecer a resiliência das comunidades frente às mudanças climáticas.

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