Mounjaro com desconto amplia a disputa no mercado de medicamentos injetáveis, especialmente em um momento de forte procura por tratamentos associados ao controle metabólico.
A Eli Lilly passou a oferecer descontos para o Mounjaro no Brasil em kits que contemplam doses iniciais e de ajuste do tratamento, como 2,5 mg, 5 mg, 7,5 mg e 10 mg. A decisão busca reforçar a presença do medicamento nos canais formais de venda em meio à concorrência crescente de manipulados, importações ilegais e canetas nacionais de semaglutida.
Descontos significativos no Mounjaro
A Eli Lilly anunciou uma redução nos preços do Mounjaro, medicamento indicado para o tratamento de diabetes tipo 2, por meio de seu programa de fidelidade no Brasil.
A medida busca ampliar o acesso ao tratamento e fortalecer a competitividade da farmacêutica em um mercado pressionado por versões manipuladas, importações irregulares e alternativas nacionais mais baratas.
Com a atualização, o kit inicial com duas caixas, nas dosagens de 2,5 mg e 5 mg, que antes custava cerca de R$ 3.350, passou a ser oferecido por R$ 2.250.
A nova condição representa uma economia de R$ 1.100 para os pacientes que iniciam o tratamento com o medicamento, segundo os valores divulgados pela empresa.
O kit de ajuste de dose, também composto por duas caixas na dosagem de 7,5 mg, teve redução significativa e passou a custar R$ 3.998, com desconto de aproximadamente R$ 1.600.
A maior queda foi aplicada ao kit de ajuste de dose avançado, com duas caixas na dosagem de 10 mg, que agora custa R$ 4.598 e oferece desconto de R$ 2.600.
Os cortes nos preços fazem parte da estratégia da Eli Lilly para enfrentar a concorrência de canetas de semaglutida nacionais e produtos vendidos fora dos canais regulares.
A iniciativa também reforça a tentativa da companhia de manter pacientes dentro do mercado formal, com medicamentos registrados e acompanhamento adequado durante o tratamento.
Concorrência com canetas manipuladas
A disputa no mercado de medicamentos injetáveis para diabetes e emagrecimento ganhou novos contornos com a venda de versões manipuladas e a chegada de concorrentes nacionais autorizados pela Anvisa.
Embora a Eli Lilly mantenha a patente da tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, a legislação brasileira permite a manipulação da substância em casos individuais, desde que haja prescrição médica específica.
O problema, segundo especialistas do setor, é que uma prática prevista para atender demandas personalizadas passou a ocorrer em escala muito superior à esperada, pressionando fabricantes de medicamentos registrados.
Além das fórmulas manipuladas, o setor passou a conviver com mudanças provocadas pelo fim da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic.
Após esse marco, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o Ozivy, da EMS, primeira caneta nacional de semaglutida sintética análoga ao Ozempic liberada para comercialização no país.
A autorização abriu caminho para uma nova fase de concorrência no segmento, com o início da entrada de versões nacionais de medicamentos baseados em semaglutida no mercado brasileiro.
Esse avanço aumenta a pressão sobre farmacêuticas como Eli Lilly e Novo Nordisk, que passam a disputar espaço não apenas com manipulados e produtos irregulares, mas também com alternativas nacionais aprovadas pela agência reguladora.
