Pesquisadores desenvolvem técnica para recuperar pulmão lesionado

A técnica com Angiotensina-(1-7) tem mostrado resultados promissores na recuperação de pulmões lesionados em estudos com animais, aumentando a viabilidade de órgãos para transplante. Os próximos passos envolvem testes em modelos animais maiores para validação clínica.

A técnica para recuperar pulmão lesionado, desenvolvida por pesquisadores brasileiros e canadenses, promete aumentar a disponibilidade de órgãos para transplante. Utilizando a proteína Angiotensina-(1-7), o método preserva a saúde do pulmão, reduzindo danos causados por isquemia e reperfusão.

Nova técnica com Angiotensina-(1-7)

A nova técnica, desenvolvida por pesquisadores da Faculdade de Medicina (FM) da USP em parceria com a Cypel da University Health Network (UHN), utiliza a Angiotensina-(1-7), um peptídeo com propriedades protetoras, para reparar pulmões lesionados.

Este método inovador visa aumentar a disponibilidade de órgãos para transplante, abordando um dos principais desafios enfrentados na área médica.

Durante o processo de preparação, os pulmões são lavados e preservados a 10°C, com a adição do peptídeo à solução de preservação.

Essa abordagem visa reduzir os danos causados pela isquemia e reperfusão, preservando a saúde do enxerto e melhorando a oxigenação do pulmão transplantado.

Os resultados promissores em estudos pré-clínicos indicam que a Angiotensina-(1-7) pode potencializar os efeitos benéficos da preservação hipotérmica, promovendo uma recuperação mais eficiente do órgão.

A técnica, ao minimizar a resposta inflamatória e o dano oxidativo, pode representar um avanço significativo na viabilização de pulmões para transplante.

Resultados promissores em estudos com animais

Os estudos com animais demonstraram resultados promissores na aplicação da técnica com Angiotensina-(1-7) para recuperação de pulmões lesionados, apontou Oliveira Melo ao Jornal da USP.

Os experimentos revelaram que pulmões tratados com a solução enriquecida apresentaram uma função significativamente melhor após o transplante, em comparação com aqueles que receberam apenas a solução padrão.

Além disso, observou-se uma menor expressão de marcadores inflamatórios e de dano oxidativo nos tecidos dos pulmões condicionados com Angiotensina-(1-7).

Esses achados sugerem uma ação protetora do peptídeo, mesmo na presença de estresse celular, o que pode contribuir para uma recuperação mais eficaz do enxerto.

Os pesquisadores também identificaram alterações em genes relacionados à integridade e reparo mitocondrial, indicando que a técnica pode ativar mecanismos de controle de qualidade celular.

Esses resultados reforçam o potencial da abordagem para otimizar os desfechos de transplantes pulmonares, abrindo caminho para estudos futuros em modelos animais de maior porte.

Desafios na disponibilidade de pulmões para transplante

Os pulmões de doadores frequentemente não são utilizados devido a lesões preexistentes, representando cerca de 80% dos órgãos doados.

Este é um desafio significativo para pacientes que aguardam transplantes, pois apenas 20% dos pulmões doados são considerados viáveis para cirurgia.

A escassez de pulmões disponíveis para transplante é agravada por listas de espera crescentes, especialmente após a inclusão de pacientes com falência pulmonar persistente associada à covid-19.

Até março de 2025, a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) relatou 348 pessoas necessitando de um transplante de pulmão, mas apenas 37 procedimentos foram realizados no Brasil naquele período.

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