Os rios atmosféricos na Antártica podem dobrar até 2100, o que intensificará a umidade e afetará o equilíbrio de massa de superfície, resultando em mudanças nos ventos e aumento da perda de gelo, com consequências diretas na elevação do nível do mar.
Os rios atmosféricos na Antártica, fenômenos que transportam grandes quantidades de umidade, podem dobrar até o final do século, segundo um estudo recente da British Antarctic Survey. Isso pode alterar significativamente o equilíbrio de massa de superfície da região.
Mais umidade em um mundo mais quente
Com o avanço do aquecimento global, a atmosfera está se tornando capaz de armazenar volumes cada vez maiores de vapor de água, um fator decisivo para o fortalecimento dos chamados rios atmosféricos.
Esses fenômenos, caracterizados por faixas estreitas de ar carregado de umidade, já transportam grandes quantidades de vapor e tendem a se intensificar ainda mais com as mudanças no clima.
Segundo um modelo climático utilizado em recente estudo, a umidade atmosférica sobre as águas costeiras da Antártica deve apresentar aumento significativo até o final do século.
Em determinados meses, a concentração de vapor pode atingir níveis até três vezes superiores aos valores atuais, ampliando o potencial desses corredores de umidade.
Com mais vapor disponível, as correntes de jato, que conduzem o ar em direção aos polos, se transformam em fluxos mais intensos, configurando verdadeiros rios no céu.
O resultado previsto é o aumento no número de dias com presença de rios atmosféricos em diversas áreas do continente antártico.
Eventos extremos na Antártica podem agravar aumento do nível do mar
Pesquisadores alertam que a intensificação dos chamados rios atmosféricos, longas faixas de ar carregadas de vapor de água, pode ter impactos mais profundos do que se imaginava sobre o equilíbrio de gelo e neve na Antártica.
Atualmente, tempestades intensas são capazes de repor, em poucos dias, parte das perdas de gelo provocadas por semanas de derretimento.
Mas, com o aumento das temperaturas globais, essas tempestades tendem a se tornar mais intensas e frequentes, modificando drasticamente o ciclo natural da região.
Essa nova dinâmica deve influenciar fortemente o quanto o continente contribui para a elevação dos oceanos. Em vez de seguir um padrão estável ao longo de décadas, base das projeções tradicionais sobre o nível do mar, os próximos anos podem ser marcados por extremos cada vez mais comuns.
Até o final do século, eventos que hoje seriam considerados atípicos podem se tornar recorrentes, dificultando previsões e complicando a gestão de riscos em regiões costeiras vulneráveis.
Especialistas apontam que esse cenário impõe a necessidade urgente de sistemas de previsão mais avançados, capazes de capturar as variações induzidas por mudanças climáticas e oferecer uma base mais sólida para o planejamento urbano e a proteção de populações em risco.
