A fatia inicial prevista para o fundo de interesse público equivale a aproximadamente US$ 48 bilhões, valor que poderá aumentar caso a companhia continue a se valorizar.
A Anthropic quer transformar parte de sua própria valorização em uma fonte permanente de recursos para enfrentar efeitos sociais associados ao avanço da inteligência artificial. A proposta prevê reservar uma parcela relevante do capital da companhia para um fundo de interesse público, com possibilidade de financiar organizações, apoiar grupos específicos e crescer junto com o valor da empresa, caso os acionistas aprovem a estrutura.
Fundo poderá crescer conforme valorização da Anthropic
O desenho da iniciativa foge de uma doação única, porque o volume destinado ao fundo poderá aumentar sempre que a empresa atingir determinados marcos de valorização.
A companhia pretende iniciar esse mecanismo com 5% de suas ações, participação que equivaleria a aproximadamente US$ 48 bilhões com base na avaliação mais recente disponível.
Além dessa fatia inicial, outros 2% poderão ser acrescentados cada vez que o valor da Anthropic ficar 50% acima de uma referência que ainda não foi divulgada.
Na prática, o fundo passaria a acompanhar parte do crescimento financeiro da empresa, o que poderia ampliar sua capacidade de atuação caso a Anthropic continue a ganhar valor.
Os recursos não ficarão restritos a um único tipo de destinação, pois a proposta admite tanto grandes repasses para organizações sem fins lucrativos quanto transferências diretas para grupos específicos da população.
A empresa relaciona essa flexibilidade a problemas que podem surgir com a expansão da inteligência artificial, sobretudo em áreas como emprego, segurança econômica dos trabalhadores, meio ambiente e comportamento social.
A ideia aparece em um momento no qual a Anthropic se prepara para uma abertura de capital prevista para novembro, o que aumenta a relevância de decisões sobre governança, distribuição de valor e compromissos de longo prazo.
A iniciativa também se conecta ao modelo jurídico da companhia, estruturada como public benefit corporation, formato que exige dos administradores atenção simultânea a interesses financeiros e objetivos de benefício público.
Com isso, o fundo funciona menos como uma ação filantrópica isolada e mais como uma extensão financeira desse modelo societário, ao vincular parte do patrimônio da empresa a respostas para possíveis impactos da própria tecnologia.
A proposta ainda depende de aprovação dos acionistas e, até lá, tanto o volume final disponível quanto a velocidade de expansão do fundo permanecem condicionados à evolução do valor da Anthropic.
