Indústria e Tendências

Unesp e Embrapa avançam no uso de fungo para combater o mofo branco

Pesquisadores da Unesp e Embrapa criaram um método sustentável que utiliza farinha de arroz para cultivar o fungo Trichoderma asperelloides, que controla o mofo branco em culturas como soja e feijão, substituindo fungicidas químicos e melhorando a saúde do solo, com eficácia de até 24 meses.

Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolveram um método inovador de cultivo do fungo Trichoderma asperelloides, revolucionando o controle biológico na agricultura. Utilizando farinha de arroz como substrato, essa técnica não só reduz custos, mas também melhora a eficácia no combate ao mofo branco, uma praga devastadora para culturas como soja e feijão.

Inovação no Cultivo do Trichoderma

A inovação no cultivo do Trichoderma asperelloides representa um avanço significativo na agricultura sustentável. Desenvolvido por pesquisadores da Unesp e da Embrapa, o método utiliza a farinha de arroz como substrato, um subproduto agroindustrial de baixo custo e amplamente disponível.

Essa escolha não apenas torna o processo mais econômico, mas também promove a sustentabilidade ao valorizar materiais que seriam descartados.

O grande diferencial da pesquisa está na criação de grânulos secos contendo conídios do fungo, que funcionam como “sementes” biológicas.

Esses grânulos, quando armazenados sob refrigeração, mantêm sua viabilidade por mais de 24 meses, garantindo estabilidade e eficácia mesmo em períodos prolongados.

Essa durabilidade é essencial para aplicações em larga escala, permitindo que o Trichoderma seja incorporado ao solo de forma eficaz, controlando patógenos como o Sclerotinia sclerotiorum, causador do mofo branco.

Além disso, a pesquisa destacou a importância de fontes de nitrogênio no processo de fermentação do fungo. A adição de 0,1% de nitrogênio ao substrato resultou em um aumento significativo na produção de Trichoderma, melhorando a viabilidade e eficácia do produto final.

Fontes complexas de nitrogênio, como levedura hidrolisada e licor de milho, mostraram-se mais eficientes do que as inorgânicas tradicionais, reforçando a busca por alternativas mais sustentáveis na agricultura.

Impacto no Controle de Doenças

O impacto do Trichoderma asperelloides no controle de doenças agrícolas é notável, especialmente no combate ao mofo branco, doença causada pelo patógeno Sclerotinia sclerotiorum.

Esta praga é responsável por perdas significativas em culturas de alto valor econômico, como soja, feijão e algodão. A utilização do Trichoderma oferece uma solução eficaz e sustentável, reduzindo a dependência de fungicidas químicos.

Os grânulos secos contendo conídios do fungo atuam como “sementes” biológicas, liberando o Trichoderma de maneira gradual e eficiente no solo.

Esse método otimiza o controle de patógenos sem gerar resíduos adicionais, uma vantagem significativa para a saúde ambiental.

Além disso, o fungo é eficaz contra uma variedade de fitopatógenos do solo, incluindo Fusarium, Rhizoctonia, Sclerotium e Pythium, ampliando suas aplicações para diversas culturas agrícolas.

Outro benefício importante é a capacidade do Trichoderma de melhorar a saúde geral do solo, promovendo um ambiente mais equilibrado e resistente a doenças.

Isso não apenas protege as plantas, mas também melhora a produtividade e a qualidade das colheitas, contribuindo para uma agricultura mais sustentável e eficiente.

A técnica desenvolvida pela Unesp e Embrapa, portanto, representa um avanço significativo no manejo de doenças agrícolas, com potencial para transformar práticas agrícolas em todo o Brasil.

Jéssica Rocha

Colunista no segmento Indústria e Tendências | Diretora de Operações com atuação direta em áreas Operacionais, Comerciais, de Marketing, Tecnologia, entre outras, sempre atenta às tendências globais que impactam a indústria, o mercado empresarial e a economia mundial.

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