Saúde, Segurança e Meio Ambiente

Unesco reconhece projeto brasileiro de preservação de corais

A Biofábrica de Corais em Pernambuco, reconhecida pela Unesco, combina ecoturismo e a regeneração dos recifes de corais, abordando os desafios impostos pelo aquecimento global sobre esses ecossistemas.

A preservação de corais em Pernambuco foi reconhecida pela Unesco, destacando o projeto Biofábrica de Corais como referência global. O aquecimento dos oceanos entre 2023 e 2024 causou branqueamento de corais, afetando 84% dos recifes do mundo.

Biofábrica de Corais: ecoturismo e regeneração

Em meio às águas cristalinas do litoral sul de Pernambuco, uma iniciativa inédita vem unindo turismo sustentável e recuperação marinha com resultados promissores.

Em Porto de Galinhas, um dos destinos mais visitados do Brasil, o projeto Biofábrica de Corais tem reconstituído a paisagem subaquática devastada pela degradação dos recifes e pelo aumento das temperaturas oceânicas.

A ação surgiu como resposta à alarmante degradação dos recifes da região, onde uma extensa parcela das colônias de coral foi impactada por episódios de branqueamento.

Esse fenômeno, desencadeado por estresse térmico, impede os corais de manterem suas algas simbióticas, essenciais para sua sobrevivência. O impacto foi tão profundo que deixou mais de 90% da cobertura coralina comprometida.

Para reverter esse quadro, a iniciativa investe em métodos de regeneração por meio da coleta e cultivo de pequenos fragmentos de corais.

Parte desse material é reintroduzida diretamente no mar, com o apoio de mergulhadores treinados e especialistas em biodiversidade marinha.

Outra parte segue para estruturas especiais de cultivo em tanques e instalações mantidas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), no município vizinho de Tamandaré.

A combinação entre práticas científicas e engajamento público tem rendido frutos. Atualmente, cerca de um quinto das colônias afetadas já apresenta sinais de recuperação e está sendo cuidadosamente manejado para recompor áreas degradadas.

A proposta vai além da restauração: ao envolver visitantes em atividades de educação ambiental e oferecer experiências de mergulho monitorado, o projeto estimula a valorização da vida marinha e a responsabilidade ecológica.

O impacto da iniciativa não passou despercebido. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) reconheceu o programa como um exemplo inspirador de conservação marinha, destacando-o em sua lista de boas práticas globais.

Com isso, o projeto ganhou visibilidade internacional e passou a integrar redes de colaboração científica voltadas à proteção dos oceanos.

A experiência demonstra que turismo e conservação não precisam caminhar em direções opostas. Quando alinhados com propósito e ciência, podem gerar benefícios reais para o meio ambiente e para as comunidades que dele dependem.

Gabriele Noda

Colunista no segmento Saúde, Segurança e Meio Ambiente (SSMA) | Gabriele Noda é Supervisora de Customer Success e possui mais de 8 anos de experiência no mercado industrial, o que a capacita a traduzir dados científicos em análises acessíveis sobre saúde, segurança e meio ambiente.

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