Até 45% do risco de demência poderia ser prevenido ou retardado, diz OMS
O risco de demência está associado a diferentes aspectos da rotina que podem comprometer gradualmente a memória, o raciocínio e a autonomia durante o envelhecimento.
A demência representa um desafio crescente para sistemas de saúde, famílias e economias, mas parte importante de seus riscos pode ser reduzida antes do aparecimento dos sintomas. Diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que intervenções sobre hábitos, doenças crônicas e condições ambientais podem prevenir ou retardar até 45% do risco associado à condição.
Hábitos e condições de saúde influenciam o risco
A Organização Mundial da Saúde estima que até 45% do risco associado à demência pode ser prevenido ou retardado por meio de intervenções sobre fatores modificáveis.
Essa parcela está relacionada a hábitos cotidianos, condições clínicas e características ambientais que podem receber atenção ao longo das diferentes fases da vida.
Tabagismo, consumo excessivo de álcool, sedentarismo, isolamento social e contato frequente com ar poluído aparecem entre os elementos capazes de elevar a vulnerabilidade cognitiva.
Doenças como hipertensão, diabetes e colesterol elevado também exigem acompanhamento adequado, pois alterações cardiovasculares podem comprometer progressivamente a saúde cerebral.
No entanto, suplementos de vitaminas B e E, ômega-3 ou combinações multivitamínicas não são indicados sem deficiência comprovada por avaliação clínica.
A ausência de evidências consistentes impede que esses produtos sejam tratados como solução preventiva, especialmente diante da possibilidade de efeitos indesejados ou interações.
Demência amplia despesas e compromete a autonomia familiar
O impacto da demência ultrapassa os sistemas de saúde, pois alcança famílias, ambientes de trabalho, redes de assistência e orçamentos públicos.
As perdas econômicas globais relacionadas à condição chegam a aproximadamente US$ 1,3 trilhão por ano, conforme estimativas apresentadas em estudos internacionais.
Esse valor reúne gastos médicos, serviços de apoio, afastamentos profissionais e diversas despesas necessárias para preservar a segurança dos pacientes.
Quase metade do custo total corresponde ao cuidado não remunerado oferecido por parentes e amigos, que assumem responsabilidades prolongadas sem compensação financeira.
A progressão da condição pode limitar autonomia, capacidade profissional e participação social, o que aumenta a dependência de outras pessoas nas atividades rotineiras.
Familiares responsáveis pela assistência frequentemente enfrentam pressão emocional, redução da renda e dificuldades para conciliar o cuidado com suas próprias obrigações.
Políticas preventivas capazes de controlar fatores modificáveis podem preservar funções cognitivas por mais tempo e diminuir parte da demanda futura por assistência permanente.
Essas medidas também favorecem maior independência durante o envelhecimento, além de aliviar custos sociais suportados pelas famílias e pelas instituições públicas.



