Cases e Análises

Queda nas vendas de papelão ondulado nos EUA sugere retração

As vendas de papelão ondulado nos EUA caíram para o nível mais baixo desde 2015, refletindo uma correção na demanda do varejo devido a incertezas comerciais, desaceleração do setor imobiliário e mudanças nas preferências dos consumidores, o que pode impactar a economia dependente do consumo.

O mercado de papelão ondulado, considerado um dos indicadores indiretos da atividade econômica, registrou uma forte retração nos Estados Unidos. No segundo trimestre de 2025, as vendas do material caíram ao menor patamar desde 2015, sinalizando um desaquecimento do varejo e levantando preocupações sobre a resistência do consumo, peça-chave da economia americana.

Papelão ondulado é usado como termômetro de consumo

O papelão ondulado, insumo essencial para embalagens e transporte de mercadorias, tornou-se um importante termômetro indireto da atividade econômica.

A lógica é simples: praticamente todos os produtos consumidos, do setor de alimentos ao de eletrodomésticos, passam por caixas e embalagens antes de chegar ao consumidor final.

Quando a demanda por papelão cresce, significa que a indústria e o varejo estão movimentando maiores volumes de mercadorias, o que indica aquecimento da produção e do consumo.

Da mesma forma, a queda nas vendas de papelão costuma ser interpretada como um sinal de alerta. Menos pedidos de embalagens refletem desaceleração no ritmo das encomendas, redução da confiança do comércio e ajustes nas projeções de consumo.

Por isso, analistas e investidores acompanham de perto o desempenho desse setor, tratando-o como um indicador precoce de tendências econômicas.

Embora não figure entre os índices oficiais, o volume de vendas de papelão ondulado oferece pistas relevantes sobre a saúde da economia. A retração aponta para enfraquecimento da demanda, enquanto a expansão revela maior dinamismo no mercado.

Por essa razão, o comportamento desse insumo é considerado um espelho da atividade econômica e ajuda a antecipar movimentos que mais tarde aparecerão nos indicadores tradicionais, como o Produto Interno Bruto (PIB).

Setor de papelão ondulado registra retração

No último trimestre, duas das principais companhias globais de embalagens registraram retração nas operações ligadas ao mercado norte-americano.

A International Paper Co., com sede em Memphis, reportou recuo de 5% nas remessas diárias de caixas destinadas aos Estados Unidos em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Já a Smurfit Westrock Plc, baseada em Dublin, apontou uma redução de 4,5% no volume de papelão ondulado comercializado na América do Norte, percentual que representou o desempenho mais fraco entre todas as regiões em que a empresa atua.

Esses números reforçam a percepção de enfraquecimento na demanda por embalagens no mercado norte-americano, com possíveis reflexos em toda a cadeia de consumo.

Tarifas de Trump elevam incerteza

A retração nas vendas de papelão ondulado nos Estados Unidos tem sido associada, por analistas, ao impacto das tarifas comerciais adotadas pelo governo Trump.

As medidas ampliaram custos de importação e criaram um cenário de maior cautela para empresas que dependem de previsibilidade no planejamento logístico.

Nesse ambiente, algumas companhias vêm reduzindo estoques e postergando investimentos, o que pode ter efeito sobre a demanda por embalagens.

O setor imobiliário, também afetado pela pressão de custos e pela instabilidade econômica, registra menor movimentação, reduzindo a necessidade de bens duráveis que utilizam embalagens robustas.

Dessa forma, a queda no uso de papelão ondulado é vista por parte do mercado como um possível reflexo das incertezas provocadas pela política tarifária, ainda que outros fatores também possam estar influenciando o desempenho do setor.

*Com informações Bloomberg e AInvest

Willian Souza

Colunista no segmento Cases e Análises | C.O.O. no Grupo Ideal Trends, com ampla experiência como líder de operações e gerente de projetos. Também possui vasta experiência em marketing digital, tecnologia, inovações, gerenciamento de equipes, análise estratégica de mercados e competitividade industrial.

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