Realce transforma plástico reciclado em estratégia industrial na Bahia
O uso de plástico reciclado em até 90% do catálogo da Realce reduziu a dependência de resina virgem e fortaleceu a produção destinada à construção civil.
O reaproveitamento de resíduos deixou de ocupar uma função secundária e passou a sustentar a estratégia industrial da Realce Indústria de Produtos Plásticos, empresa baiana que atua no mercado da construção civil. A combinação entre matéria-prima reciclada, fornecedores locais e redução do consumo de recursos permitiu ampliar a competitividade após uma fase de dificuldades financeiras.
Realce adota reciclagem após mudança no modelo de produção
A Realce Indústria de Produtos Plásticos consolidou uma nova estratégia industrial após enfrentar dificuldades que exigiram a reformulação de suas atividades e de sua estrutura produtiva.
Criada em 2004, em Conceição do Jacuípe, na Bahia, a empresa atuava inicialmente no setor automotivo, mas perdeu um contrato relevante dez anos depois.
A ruptura obrigou a companhia a abandonar parte do modelo anterior e investir na fabricação de produtos próprios destinados principalmente ao mercado da construção civil.
Mangueiras corrugadas e plafons de iluminação passaram a integrar o catálogo, movimento que reduziu a dependência de serviços prestados para outras empresas.
Com o aumento dos preços da resina virgem, a fabricante também buscou alternativas para controlar despesas e preservar a competitividade de sua operação industrial.
A solução adotada envolveu a criação de uma estrutura própria para coleta, seleção e preparação de resíduos plásticos utilizados como matéria-prima.
Atualmente, o material reciclado representa entre 80% e 90% da composição de grande parte dos itens comercializados pela companhia.
Parcerias locais sustentam fornecimento de matéria-prima
A cadeia de abastecimento passou a contar com cooperativas e catadores responsáveis por recolher materiais recicláveis em diferentes municípios do território baiano.
Em parceria com o Sebrae, a Realce apoiou treinamentos voltados à separação adequada dos resíduos e à melhoria da qualidade entregue à fábrica.
A iniciativa alcançou profissionais e famílias distribuídos por 18 municípios, além de criar uma fonte mais regular de insumos para a produção.
Durante 2025, a empresa reaproveitou aproximadamente 300 toneladas de resíduos e encerrou o período com faturamento de R$ 1,8 milhão.
Os números mostram que a reciclagem deixou de atuar apenas como medida ambiental e passou a ocupar uma função relevante na estratégia comercial.
A organização dessa rede também fortaleceu a economia local ao conectar trabalhadores da coleta, cooperativas e uma indústria interessada em materiais reaproveitados.
Eficiência energética reduz custos da fábrica
A empresa ampliou sua política ambiental com investimentos destinados à redução do consumo de eletricidade e água durante o processo de fabricação.
O sistema de energia solar instalado na unidade passou a suprir até 95% da demanda elétrica, com impacto direto sobre as despesas mensais.
Outra medida adotada foi a captação da água da chuva, posteriormente utilizada no resfriamento das máquinas empregadas nas etapas industriais.
Essas soluções complementam o uso de plástico reciclado e diminuem a dependência de recursos convencionais necessários ao funcionamento da fábrica.
A combinação entre produção própria, economia circular e maior eficiência operacional permitiu que a Realce ampliasse sua presença no setor nordestino de construção civil.
Fonte: Um Só Planeta



