Pobreza climática afeta 900 milhões de pessoas no mundo, alerta ONU
A pobreza climática afeta 900 milhões de pessoas em todo o mundo, com o Sul da Ásia e a África Subsaariana sendo as regiões mais vulneráveis. A ONU alerta sobre a necessidade de ações urgentes para abordar a interseção entre pobreza e desafios ambientais.
A pobreza climática está emergindo como uma crise global, com quase 900 milhões de pessoas enfrentando ameaças climáticas como calor extremo e poluição. Este fenômeno, destacado em um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), revela a interseção entre pobreza e mudanças climáticas, exigindo atenção urgente antes da COP30 no Brasil.
Crises sobrepostas e seus impactos
As crises sobrepostas relacionadas à pobreza e aos riscos climáticos criam um cenário desafiador para milhões de pessoas ao redor do mundo.
De acordo com o relatório da ONU, 651 milhões de indivíduos enfrentam duas ou mais ameaças climáticas simultaneamente, como calor extremo, inundações e poluição do ar.
Essa situação agrava as vulnerabilidades existentes, dificultando a capacidade das comunidades de se adaptarem e se recuperarem.
Essas ameaças não apenas comprometem a saúde e a segurança das populações afetadas, mas também interferem em sua capacidade de garantir meios de subsistência sustentáveis.
A falta de infraestrutura adequada e de recursos para enfrentar essas crises agrava a situação, tornando a recuperação ainda mais desafiadora.
Além disso, a sobreposição de crises intensifica a pobreza multidimensional, onde as pessoas não apenas enfrentam a falta de recursos financeiros, mas também sofrem com a falta de acesso a serviços básicos, como água potável, alimentação adequada e educação.
Essa realidade complexa exige soluções integradas que abordem tanto os desafios climáticos quanto as necessidades socioeconômicas das populações vulneráveis.
Pobreza multidimensional e seus desafios
A pobreza multidimensional representa um conceito mais abrangente do que a simples falta de renda, considerando múltiplas privações que afetam a qualidade de vida.
Segundo a Iniciativa de Pobreza e Desenvolvimento Humano de Oxford (OPHI), uma pessoa pode ser considerada pobre quando enfrenta simultaneamente desvantagens em saúde, educação, padrão de vida e acesso a serviços essenciais.
Essas privações incluem a falta de acesso a água potável, saneamento básico, eletricidade, educação de qualidade e empregos estáveis.
A pobreza multidimensional é uma realidade para milhões de pessoas em todo o mundo, exacerbada por crises climáticas que agravam ainda mais a vulnerabilidade das comunidades.
Os desafios associados à pobreza multidimensional são complexos e exigem abordagens integradas que vão além do alívio financeiro.
É necessário implementar políticas públicas que promovam o desenvolvimento humano sustentável, garantindo que as pessoas tenham acesso a recursos e oportunidades que lhes permitam superar as múltiplas barreiras que enfrentam.
Sul da Ásia e África Subsaariana são regiões críticas
O relatório da ONU destaca o Sul da Ásia e a África Subsaariana como regiões críticas onde a pobreza e os riscos climáticos se sobrepõem de forma significativa.
No Sul da Ásia, cerca de 99,1% dos pobres vivem em áreas que enfrentam uma ou mais ameaças climáticas, afetando aproximadamente 380 milhões de pessoas.
Essa região enfrenta desafios como calor extremo, inundações frequentes e poluição do ar, que comprometem a saúde e a segurança alimentar das comunidades.
Na África Subsaariana, a situação é igualmente preocupante, com 344 milhões de pessoas sujeitas a ameaças climáticas múltiplas.
A falta de infraestrutura, combinada com a alta vulnerabilidade socioeconômica, torna essas populações especialmente suscetíveis aos impactos das mudanças climáticas. A seca e a desertificação são problemas recorrentes, agravando a insegurança alimentar e a migração forçada.
Essas regiões exigem atenção urgente e ações coordenadas para mitigar os efeitos das mudanças climáticas e promover o desenvolvimento sustentável.
Investimentos em infraestrutura resiliente, educação e saúde são essenciais para fortalecer a capacidade de adaptação das comunidades e reduzir a pobreza multidimensional.
Fonte: Euronews



